CAPÍTULO 10
UM CASAMENTO DENTRO DO PROPÓSITO
DEUS TODO-PODEROSO — Ester 4:14
“E quem sabe se para conjuntura como esta é que foste elevada a rainha?”
Há casamentos que começam diante de duas pessoas, mas que, com o passar do tempo, revelam que sua história alcança muito mais pessoas do que aquelas duas que disseram sim.
É nessa perspectiva que Ivanildo e Rosinete olham para a própria caminhada. Eles não afirmam conhecer hoje toda a extensão do propósito de Deus para a união que receberam. Ao contrário: existe, dentro deles, a convicção de que aquilo que Deus pode realizar através de um casamento talvez seja muito maior do que aquilo que marido e mulher conseguem compreender no início da caminhada.
Essa compreensão encontra, para eles, uma imagem especialmente significativa na história de Ester e do rei Assuero.
O livro de Ester registra que Ester foi levada à presença do rei, conquistou seu favor e foi feita rainha. Mais tarde, quando uma ameaça alcançou o povo judeu, Mardoqueu fez Ester compreender que sua posição poderia estar relacionada a um momento decisivo: “quem sabe se para conjuntura como esta é que foste elevada a rainha?” O próprio texto bíblico apresenta, portanto, uma mudança de perspectiva: aquilo que parecia ser apenas uma posição pessoal revelou uma responsabilidade que alcançava todo um povo.
É importante preservar uma distinção.
O livro de Ester não declara que o casamento de Ester com Assuero foi, em si mesmo, uma revelação explícita de Deus sobre um propósito matrimonial. O que o texto mostra é que a posição de Ester como rainha posteriormente se tornou parte de uma situação muito maior: a preservação de seu povo.
Essa distinção não diminui a força da comparação.
Pelo contrário.
Torna-a mais fiel às Escrituras.
SENHOR JESUS CRISTO — Efésios 2:10
“Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas.”
É justamente aqui que a história de Ivanildo e Rosinete encontra uma reflexão que ultrapassa o romance.
Eles chegaram ao casamento depois de processos diferentes.
Ivanildo atravessou anos de busca, oração, vigílias, lutas sentimentais, trabalho e preparação.
Rosinete também atravessou sua própria história, suas dores, sua fé, suas decisões e sua busca por uma família constituída segundo aquilo que entendia ser a vontade de Deus.
O encontro não apagou essas trajetórias.
O casamento reuniu duas histórias que já vinham sendo trabalhadas separadamente.
Quando olham para tudo isso, eles creem que a união não existe apenas para que Ivanildo tenha Rosinete ou Rosinete tenha Ivanildo.
Existe a possibilidade de que o próprio casamento seja instrumento de algo que ainda não alcançaram completamente compreender.
Essa é uma afirmação de fé do casal, e deve ser registrada como tal.
Não é possível transformar hoje em fatos comprováveis todos os elementos de um propósito que eles ainda dizem estar compreendendo.
Mas é possível registrar a convicção que sustenta a caminhada:
eles creem que Deus não os uniu somente para viverem uma história particular, mas também para servirem, alcançarem vidas e testemunharem aquilo que aprenderam dentro da própria caminhada.
Essa percepção encontra eco na própria história de Rosinete antes do casamento.
Ela havia declarado que desejava um homem de Deus, com caráter e propósito semelhante, para que ambos pudessem fazer a obra juntos, em uma só fé e com o desejo de alcançar famílias.
Essa visão não apareceu somente depois da cerimônia.
Fazia parte da maneira como ela compreendia o casamento que desejava construir.
E, quando se observa a vida de um casal por essa lente, as dificuldades também podem adquirir outro significado.
O deserto do primeiro ano, a escassez, a necessidade de ajuda familiar e os momentos em que precisaram fortalecer um ao outro não aparecem apenas como obstáculos isolados.
Eles também se tornaram experiências que ensinaram o casal sobre amor, fé, perseverança, cuidado e dependência de Deus.
Assim como Ester precisou descobrir que sua posição não terminava nela mesma, Ivanildo e Rosinete creem que sua aliança também não termina nos dois.
ESPÍRITO SANTO — João 16:13
“Quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade.”
Para Ivanildo, essa convicção está profundamente ligada àquilo que ele atribui à condução do Espírito Santo desde antes do casamento.
Segundo seu testemunho, houve um longo processo em que ele não recebeu imediatamente todas as respostas.
Houve preparação antes da revelação.
Espera antes do reconhecimento.
Maturação antes de compreender quem estava diante dele.
Rosinete, por sua própria perspectiva, também chegou ao casamento trazendo uma convicção construída em processos pessoais.
Ela não abandonou sua história para entrar na história de Ivanildo.
Entrou nela levando sua fé, suas experiências, sua maternidade, seus aprendizados e sua própria percepção de propósito.
Por isso, talvez uma das imagens mais bonitas para compreender essa união seja a de duas sementes que foram plantadas em terrenos diferentes e, em determinado momento, passaram a crescer lado a lado.
Eles já haviam vivido capítulos que o outro não conhecia.
Já haviam atravessado dores que o outro não acompanhara.
Já haviam aprendido coisas que depois seriam necessárias dentro da vida conjugal.
E, quando finalmente se tornaram marido e mulher, começaram a descobrir que aquilo que cada um havia aprendido separadamente poderia também servir à construção de uma missão compartilhada.
O propósito, portanto, não precisa ser confundido com uma lista de acontecimentos futuros.
Não é necessário afirmar hoje aquilo que somente o tempo poderá revelar.
Propósito também pode significar permanecer fiel ao que Deus já mostrou, servir com aquilo que já foi colocado nas mãos, cuidar da família, testemunhar as experiências vividas e permitir que cada nova etapa revele aquilo que ainda não foi compreendido.
É possível que, ao longo dos anos, eles descubram dimensões desse propósito que hoje ainda não conseguem enxergar.
Essa possibilidade não deve ser apresentada como uma previsão, mas como a própria convicção espiritual que os acompanha.
E talvez seja justamente aí que a comparação com Ester se torne mais profunda.
Ester não conhecia, no início de sua história como rainha, tudo aquilo que aconteceria depois.
A posição que recebeu ganhou significado diante de uma crise que ainda viria.
A narrativa mostra que sua condição de rainha passou a estar relacionada a uma responsabilidade muito maior do que sua própria vida.
Da mesma maneira, Ivanildo e Rosinete olham para o próprio casamento e dizem, em essência:
Nós ainda não compreendemos tudo.
Eles sabem que se casaram.
Sabem que enfrentaram desertos.
Sabem que permaneceram juntos.
Sabem que aprenderam a amar, servir, perseverar e buscar a vontade de Deus.
Mas creem que existe algo maior que ainda está sendo revelado.
Talvez o verdadeiro tamanho de uma aliança não seja medido somente pelo que o casal consegue enxergar no dia em que diz sim.
Algumas dimensões de uma história somente aparecem quando os anos passam, quando as experiências se acumulam e quando outras vidas começam a ser alcançadas por aquilo que o casal aprendeu.
É por isso que este casamento, para Ivanildo e Rosinete, não pode ser compreendido apenas como o encontro de duas pessoas que desejavam constituir uma família.
É uma aliança que eles creem ter sido conduzida por Deus.
É uma casa que eles desejam colocar a serviço de um propósito maior.
É uma história que ainda não terminou de revelar tudo aquilo que significa.
E, se a história de Ester ensina alguma coisa a essa geração, é que uma posição recebida hoje pode carregar responsabilidades que somente serão compreendidas amanhã.
Assim também, Ivanildo e Rosinete olham para 28 de março de 2003 e não veem somente o dia em que se tornaram marido e mulher.
Eles veem o início de uma caminhada cujo alcance ainda acreditam estar descobrindo.
Não dizem:
“Já sabemos tudo o que Deus fará.”
Dizem algo mais humilde e, ao mesmo tempo, mais profundo:
“Cremos que Deus ainda tem muito a nos mostrar.”
Porque o casamento começou com uma aliança entre duas pessoas, mas, na fé deles, o propósito dessa aliança pode alcançar muito além das duas pessoas que a assumiram.
E talvez o futuro revele aquilo que, naquele início, eles ainda não conseguiam compreender.

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