CAPÍTULO 13 — QUANDO O PROCESSO NOS UNIU MAIS

“Melhor serem dois do que um, porque têm melhor paga do seu trabalho.”
— Eclesiastes 4:9

Há processos que chegam para testar aquilo que já existe.

E há processos que chegam para construir aquilo que ainda não existe.

Na história de Ivanildo e Rosinete, o primeiro período do casamento trouxe dificuldades que poderiam ter produzido distância.

Mas aconteceu o contrário.

O processo os uniu mais.

As portas que não se abriam fizeram com que aprendessem a caminhar juntos.

A necessidade fez com que aprendessem a depender mais de Deus.

As diferenças fizeram com que aprendessem a compreender um ao outro.

E as limitações daquela fase fizeram com que descobrissem que um casamento não é sustentado somente pelo que o casal possui.

É sustentado também pela maneira como marido e mulher permanecem um ao lado do outro quando quase nada parece estar acontecendo como imaginavam.

Foi naquele processo que Ivanildo e Rosinete começaram a construir algo que não podia ser visto imediatamente:

um alicerce.


QUANDO A DIFICULDADE NÃO CONSEGUIU DIVIDIR

O primeiro ano havia sido marcado por dificuldades.

Eles queriam trabalhar.

Queriam construir a vida.

Mas, segundo o testemunho de Rosinete, as portas não se abriam.

Ainda assim, havia algo acontecendo dentro da casa:

eles estavam ficando cada vez mais unidos.

Essa frase possui uma força especial porque não descreve apenas uma reação emocional.

Ela descreve uma decisão.

A dificuldade não desapareceu.

O problema não deixou de existir.

A necessidade continuou sendo necessidade.

Mas eles não permitiram que a circunstância definisse a qualidade da aliança.

Era possível estar sem recursos e ainda ter amor.

Era possível estar preocupado e ainda oferecer uma palavra de fé.

Era possível estar cansado e ainda escolher compreender.

Era possível não saber como seria o amanhã e ainda decidir viver aquele dia juntos.

E foi assim que o processo começou a trabalhar dentro deles.

Não apenas contra alguma coisa.

Mas a favor de alguma coisa.

A favor da união.

A favor da maturidade.

A favor da compreensão.

A favor de um casamento que precisava aprender a existir para além das circunstâncias.


UM FORTALECENDO O OUTRO

“Porque se um cair, o outro levanta o seu companheiro.”
— Eclesiastes 4:10

Rosinete contou que, quando ficava um pouco triste, Ivanildo chegava com uma palavra de fé.

Era uma atitude simples.

Mas, dentro de um processo difícil, uma palavra pode carregar um peso enorme.

Ela não resolvia imediatamente o problema.

Mas lembrava que ela não estava sozinha.

E havia momentos em que Ivanildo também ficava mais pensativo.

Nessas horas, era Rosinete quem se aproximava.

Ela procurava falar com ele sobre histórias bíblicas, lembrando de Jacó e também de Rute e Noemi.

Ela sabia que aquelas histórias continham processos.

Havia desertos.

Havia dificuldades.

Havia espera.

Havia situações em que os personagens não possuíam todas as respostas diante deles.

E, de alguma maneira, aquelas histórias passaram a conversar com a vida daquele casal.

Não porque suas histórias fossem iguais às personagens bíblicas.

Mas porque Rosinete encontrava nelas uma linguagem para encorajar seu esposo.

Era uma espécie de revezamento espiritual.

Quando um enfraquecia, o outro procurava fortalecer.

Quando um estava mais pensativo, o outro trazia uma palavra.

Quando um precisava de paciência, o outro aprendia a esperar.

Assim, o casamento começou a desenvolver uma dinâmica que somente a convivência poderia ensinar:

não era sempre o mesmo que carregava o outro.

Em alguns dias, era Ivanildo.

Em outros, era Rosinete.

E isso também é união.


O PROCESSO ENSINOU COMPREENSÃO

Rosinete compreendeu que um casamento não pode ser construído sobre a expectativa de que o outro nunca ficará triste, preocupado, cansado ou silencioso.

Ela começou a aprender a lidar melhor com Ivanildo.

Percebeu que algumas mudanças precisavam acontecer dos dois lados.

Não somente nele.

Nela também.

Se queria mais atenção, precisava oferecer mais amor.

Se queria mais compreensão, precisava compreender.

Se desejava determinadas atitudes, também precisava aprender a construir um ambiente em que elas pudessem acontecer.

Essa compreensão não diminuiu a identidade de Rosinete.

Pelo contrário.

Fez nascer nela aquilo que descreveu como uma auxiliadora forte, direcionada pelo Espírito Santo, procurando em Jesus respostas para saber como lidar com o esposo.

Ela também compreendeu algo profundamente humano:

Ivanildo era um homem antes de qualquer outra função.

Era um homem de Deus, segundo a fé que ela reconhecia nele.

Mas continuava sendo um homem.

Tinha sentimentos.

Tinha uma história.

Tinha uma bagagem anterior.

Tinha áreas que também precisavam ser trabalhadas.

E Rosinete percebeu que sua participação naquele casamento não seria apenas receber aquilo que Ivanildo oferecia.

Ela também seria parte da construção.

Ela teria responsabilidade no crescimento daquela vida a dois.

Essa percepção foi uma das coisas que o processo produziu nela.


QUANDO A FAMÍLIA PARTICIPOU DA CAMINHADA

O processo também revelou que um casal pode ser fortalecido por pessoas que Deus coloca ao redor dele.

Rosilda, mãe de Rosinete, participou daquela fase com amor e carinho.

O casal ia até sua casa.

Algumas refeições eram feitas ali.

Em outros momentos, ela ajudava com alimentos não perecíveis.

Dona Joana Maria de Melo Regis, mãe de Ivanildo, também somou à vida dos dois.

E o pai de Rosinete ajudava algumas vezes, inclusive anonimamente, com necessidades simples, como gás e legumes.

Essas participações não substituíam a caminhada do casal.

Mas mostravam que eles não estavam atravessando aquele processo completamente sozinhos.

Havia mãos que ajudavam.

Havia palavras que sustentavam.

Havia pessoas que ofereciam aquilo que podiam.

E, para Rosinete, havia algo ainda mais importante:

o abraço de seu pai acompanhado de uma palavra que ela guardou.

Ele dizia que era nas dificuldades que Deus fazia um milagre na vida de um casal.

E que aquela fase não precisava ser para o mal.

Poderia ser para crescimento.

A dificuldade, então, passou a ser observada por outra perspectiva.

Não somente como aquilo que faltava.

Mas também como aquilo que poderia ensinar.


QUANDO A MESA SE TORNA UMA ESCOLA

Houve dias em que a realidade era extremamente simples.

Rosinete recorda que chegaram a fazer mingau de Maizena somente com água.

Uma refeição tão simples poderia parecer insignificante para quem olha de fora.

Mas para quem viveu, ela carrega a memória de uma estação inteira.

A mesa ensinava.

A necessidade ensinava.

A falta ensinava.

A criatividade ensinava.

E a própria rotina doméstica ensinava.

Rosinete também aprendeu com sua sogra.

Ela passou a vê-la como uma espécie de Noemi em sua experiência — uma mulher mais experiente que podia ensinar coisas práticas da vida.

Aprendia o que comprar no mercado.

O que agradar.

Como fazer determinadas coisas.

Como administrar aquilo que existia.

E guardava também ensinamentos de sua própria mãe.

Até uma situação simples poderia trazer uma lição:

de um limão, fazer uma limonada.

Um chá poderia acalmar.

Uma dificuldade poderia produzir uma solução.

Uma limitação poderia ensinar criatividade.

Assim, aquilo que inicialmente parecia apenas um período de escassez começou a formar habilidades que não se aprendem em livros.

Aprendia-se vivendo.


O AMOR PRECISAVA CAMINHAR COM A FÉ

“Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; mas o maior destes é o amor.”
— 1 Coríntios 13:13

Rosinete chegou a uma compreensão que se tornou uma das frases mais fortes daquele período:

não basta somente ter amor; é preciso ter fé.

E também:

não basta somente ter fé; é preciso ter amor.

Essa compreensão não nasceu em uma época de facilidade.

Nasceu dentro do processo.

Porque o amor, sozinho, poderia não responder a todas as tensões de uma vida a dois.

E uma fé sem amor poderia não produzir a delicadeza necessária para conviver com as diferenças.

Eles precisavam dos dois.

Amor para compreender.

Fé para esperar.

Amor para perdoar.

Fé para continuar.

Amor para cuidar.

Fé para não desistir.

Amor para ouvir.

Fé para confiar em Deus.

E, pouco a pouco, eles foram entendendo que casamento não é uma disputa para descobrir quem está certo.

É uma aliança em que os dois precisam aprender.


QUANDO A DIFERENÇA DEIXA DE SER AMEAÇA

Um homem e uma mulher não são iguais.

Possuem histórias diferentes.

Possuem sensibilidades diferentes.

Podem reagir de maneiras diferentes diante da mesma circunstância.

Rosinete percebeu isso de maneira prática.

Ela compreendeu que havia momentos em que Ivanildo ficava muito chateado, com o rosto fechado.

Nessas ocasiões, nem sempre era necessário pressioná-lo.

Às vezes, era melhor deixar que aquele momento passasse.

Orar.

Esperar.

E confiar que haveria um novo amanhã.

Essa atitude não significava ignorar os problemas.

Significava aprender o tempo da conversa.

Aprender o tempo do silêncio.

Aprender que nem todo conflito precisa ser resolvido no mesmo instante em que surge.

Algumas coisas precisam de tempo.

Outras precisam de oração.

Outras precisam de uma conversa.

E algumas precisam das três coisas.

Esse aprendizado ajudou a transformar diferença em compreensão.


O PROCESSO PRODUZIU RAÍZES

Quando Rosinete resume tudo aquilo, ela não termina falando da falta.

Ela fala de um alicerce.

Fala de raízes para o futuro.

Essa é talvez a imagem mais bonita para compreender aquele período.

Raiz cresce no escuro.

Não recebe aplausos.

Não aparece para quem passa pela árvore.

Mas é justamente aquilo que ninguém vê que permite à árvore permanecer de pé.

O primeiro período do casamento também foi assim.

Muito do que estava sendo construído não era visível.

Eles estavam aprendendo a conversar.

Aprendendo a compreender.

Aprendendo a esperar.

Aprendendo a lidar com diferenças.

Aprendendo a fortalecer um ao outro.

Aprendendo a confiar.

Aprendendo a colocar Deus dentro da rotina.

Tudo isso parecia pequeno no momento.

Mas, olhando posteriormente, aquilo formava um fundamento.

O processo estava fazendo algo que a facilidade talvez não tivesse conseguido fazer da mesma maneira.

Estava ensinando os dois a permanecerem juntos.


VENCER JUNTOS

Rosinete afirmou que os dois venceram juntos, com propósito em Cristo Jesus, procurando descobrir qual era a vontade de Deus.

E, para eles, essa vontade permanecia perfeita, conforme Romanos 12:2.

Essa afirmação é importante porque não significa que todas as dificuldades desapareceram magicamente.

Significa que eles passaram a medir a vitória de outra maneira.

Vitória não era somente ter uma porta aberta.

Também era não perder a união enquanto a porta permanecia fechada.

Vitória não era somente ter abundância.

Também era permanecer agradecido enquanto havia pouco.

Vitória não era somente não ter problemas.

Também era aprender a atravessá-los sem destruir um ao outro.

E foi assim que o processo ganhou outro significado.

O que inicialmente poderia ser visto somente como um período de dificuldades passou a ser lembrado como uma escola.

Uma escola de amor.

Uma escola de fé.

Uma escola de compreensão.

Uma escola de paciência.

Uma escola de casamento.


O QUE O PROCESSO DEIXOU

O tempo passou.

Mas algumas coisas daquele período permaneceram.

Permaneceu a compreensão de que o casal precisava fortalecer um ao outro.

Permaneceu a lembrança de que amor e fé precisam caminhar juntos.

Permaneceu a importância da família.

Permaneceu o valor das pequenas provisões.

Permaneceu a consciência de que dificuldades não significam necessariamente ausência de propósito.

E permaneceu algo ainda maior:

a certeza de que eles haviam aprendido a atravessar juntos.

O processo não apenas mostrou quem eles eram.

O processo também começou a formar quem eles se tornariam.

Foi no meio da dificuldade que Rosinete aprendeu mais sobre ser esposa.

Foi no meio da dificuldade que Ivanildo também precisou aprender.

Foi no meio da dificuldade que ambos descobriram que uma aliança precisa ser cuidada diariamente.

E foi ali que o casamento começou a deixar de ser apenas a realização de um sonho para se tornar uma responsabilidade compartilhada.

Uma vida.

Uma missão.

Uma escola.

Uma aliança.


QUANDO O DESERTO SE TRANSFORMA EM FUNDAMENTO

“Porque ninguém pode pôr outro fundamento além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo.”
— 1 Coríntios 3:11

Talvez seja impossível olhar para aquele primeiro processo sem reconhecer sua importância.

Não porque a dificuldade fosse boa em si mesma.

Mas porque, dentro dela, eles aprenderam.

Aprenderam que ninguém atravessa uma vida inteira sem passar por estações difíceis.

Aprenderam que marido e mulher precisam saber se fortalecer.

Aprenderam que uma palavra de fé pode mudar o ambiente de uma casa.

Aprenderam que uma refeição simples ainda pode ser recebida com gratidão.

Aprenderam que a família pode se tornar instrumento de cuidado.

Aprenderam que diferenças não precisam produzir separação.

Aprenderam que amor precisa de fé.

E que fé precisa ser acompanhada de amor.

Quando aquele processo começou, eles tinham um casamento.

Quando o processo foi sendo atravessado, começaram a construir uma história de casamento.

E existe uma diferença.

Um casamento é uma aliança celebrada.

Uma história de casamento é uma aliança vivida.

Foi isso que aquele processo começou a produzir.

Não apenas duas pessoas casadas.

Mas duas pessoas aprendendo a caminhar como uma unidade.

E talvez seja por isso que, ao olhar para trás, Rosinete consiga dizer que daquele período nasceu um alicerce.

Porque o processo não os afastou.

O processo os uniu mais.

E aquilo que foi construído naquele tempo continuaria sustentando os próximos passos da história.

Não porque eles soubessem tudo o que ainda viria.

Mas porque já haviam aprendido uma das lições mais importantes de uma vida a dois:

quando marido e mulher escolhem permanecer unidos diante de Deus, o processo pode não apenas revelar a força da aliança — pode também aprofundá-la.