CAPÍTULO 19 — QUANDO A PERSEVERANÇA VIROU LEGADO

Quando permanecer deixou de ser apenas uma decisão do presente e começou a se transformar em uma marca da história

“Bem-aventurado o homem que suporta, com perseverança, a provação; porque, depois de aprovado, receberá a coroa da vida.”
Tiago 1:12

Havia chegado um momento da história em que permanecer já não significava simplesmente continuar juntos.

Depois do casamento, Ivanildo Melo Regis e Rosinete Lima Regis descobriram que uma aliança precisava atravessar a realidade.

O primeiro ano havia colocado os dois diante de um período que Rosinete definiu como um deserto. As portas de trabalho não se abriam, as necessidades materiais fizeram parte da rotina e houve momentos em que até necessidades básicas precisaram ser supridas com a ajuda das famílias.

Mas havia outra realidade acontecendo ao mesmo tempo.

Eles permaneciam unidos.

A dificuldade não produziu afastamento.

Segundo o testemunho de Rosinete, mesmo diante das limitações, os dois continuavam juntos e procuravam fortalecer um ao outro. Quando ela estava triste, Ivanildo trazia uma palavra de fé. Quando ele ficava pensativo, ela procurava encorajá-lo também com a Palavra e com as histórias bíblicas que guardava no coração.

Aquela experiência começou a mostrar que a perseverança não é formada somente nos grandes acontecimentos.

Ela nasce nas pequenas decisões.

Na decisão de continuar conversando.

Na decisão de não transformar a dificuldade em acusação.

Na decisão de permanecer ao lado do outro quando os recursos são poucos.

Na decisão de procurar a vontade de Deus quando a resposta ainda não chegou.

Na decisão de não permitir que uma fase difícil definisse toda a história.


O deserto não levou aquilo que havia sido construído

O primeiro período do casamento revelou algo que os dias tranquilos não poderiam revelar da mesma maneira.

A aliança precisaria sobreviver às circunstâncias.

Rosinete recordou que sua mãe, sua sogra, Joana Maria de Melo Regis, e seu pai contribuíram em momentos de necessidade. Havia ajuda com alimentos, gás e outras necessidades básicas. Em alguns momentos, a realidade era tão simples que chegaram a preparar mingau de Maizena apenas com água.

Esses detalhes não diminuem a história.

Ao contrário.

Eles mostram a realidade concreta daquele começo.

O casamento não nasceu em um cenário de abundância.

Nasceu em meio a dificuldades.

E, justamente por isso, cada gesto de cuidado ganhou significado.

Um abraço.

Uma palavra.

Uma refeição.

Uma ajuda.

Uma oração.

Um momento de silêncio.

Uma palavra de fé quando o outro estava triste.

Aquele período mostrou que havia coisas que não poderiam depender das circunstâncias.

O amor precisava continuar existindo.

A fé precisava continuar existindo.

A união precisava continuar existindo.

E foi nessa permanência que algo começou a ser formado.


A força de um fortalecendo o outro

O casamento não significava que um dos dois jamais ficaria cansado, triste ou preocupado.

Significava que nenhum dos dois precisava carregar tudo sozinho.

Rosinete relatou justamente essa dimensão da caminhada.

Quando ela se encontrava triste, Ivanildo procurava fortalecê-la.

Quando percebia Ivanildo pensativo, ela também procurava trazer uma palavra capaz de ajudá-lo.

Isso revela uma das marcas daquele primeiro ciclo da vida conjugal:

a força de um servindo de sustentação ao outro.

Não havia ali uma competição para saber quem suportaria mais.

Havia uma necessidade de caminhar juntos.

A história de Jacó.

A história de Rute e Noemi.

As experiências familiares.

As lembranças daquilo que cada um havia vivido.

Tudo isso passava a ocupar espaço nas conversas e na maneira como os dois interpretavam as dificuldades.

Rosinete também registrou uma compreensão que se tornou importante para sua visão sobre o casamento:

não bastava ter amor; era necessário ter fé.

Mas também não bastava falar de fé enquanto o amor não estivesse presente nas atitudes.

Os dois precisavam caminhar juntos.

E foi justamente nessa combinação — amor, fé, respeito, compreensão e perseverança — que as raízes começaram a crescer.

“Sede firmes, inabaláveis e sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que, no Senhor, o vosso trabalho não é vão.”
1 Coríntios 15:58


Quando permanecer ganhou outro significado

No início da história, permanecer poderia significar simplesmente não desistir.

Com o passar do tempo, porém, a permanência passou a significar muito mais.

Significava continuar construindo.

Continuar servindo.

Continuar buscando a Deus.

Continuar fortalecendo a família.

Continuar diante das responsabilidades.

Continuar quando os resultados ainda não eram visíveis.

Continuar quando aquilo que havia sido sonhado ainda estava longe de se tornar realidade.

Essa característica não apareceu somente no casamento.

Ela fazia parte de uma caminhada anterior.

Ao recordar o que permaneceu igual ao longo dos anos, Rosinete apontou justamente para a fé.

Ela afirmou que aquilo que permanecia era a disposição de ouvir e obedecer à voz do Espírito Santo e prosseguir mesmo diante de lutas, perseguições, batalhas e processos.

Essa declaração pertence a uma reflexão feita posteriormente sobre a trajetória, mas ajuda a compreender o princípio que atravessou a história:

as circunstâncias poderiam mudar; a fé que orientava a caminhada deveria permanecer.

Foi essa continuidade que transformou a perseverança em algo maior do que uma reação diante das dificuldades.

Ela começou a se tornar um princípio de vida.


Uma palavra escrita depois do casamento

As agendas ajudam a compreender essa dimensão porque elas preservaram aquilo que Ivanildo registrava enquanto os acontecimentos ainda estavam próximos.

Em uma anotação relacionada ao período posterior ao casamento, Ivanildo escreveu:

“Você é a resposta da minha fidelidade e perseverança.”

A frase foi registrada como parte de suas reflexões sobre Rosinete e sobre aquilo que entendia estar vendo se cumprir.

Também escreveu que Deus era fiel às Suas palavras e que, ainda que determinadas respostas demorassem, elas não falhariam segundo sua compreensão de fé.

Pouco tempo havia passado desde o casamento.

A vida ainda estava sendo construída.

Muitas coisas ainda não estavam resolvidas.

Mas o registro já revelava uma convicção:

perseverar fazia parte da própria história que ele acreditava estar vivendo diante de Deus.

Isso é importante porque mostra que a perseverança não apareceu somente depois de todas as vitórias.

Ela estava presente enquanto ainda havia espera.

Enquanto ainda existiam processos.

Enquanto ainda havia coisas que não haviam acontecido.

O valor da perseverança está justamente aí.

Ela não depende apenas daquilo que já chegou.

Ela também se manifesta enquanto se espera.


O que o casal começou a construir sem perceber

Naquele primeiro ciclo, Ivanildo e Rosinete ainda não tinham diante deles toda a dimensão da história que viveriam.

Não havia como conhecer naquele momento todas as responsabilidades futuras, todas as pessoas que fariam parte do caminho, todos os desafios que ainda apareceriam ou tudo aquilo que um dia seria contado.

Mas havia algo que já estava sendo formado.

Raízes.

Rosinete afirmou que aquele período produziu um alicerce e criou raízes para o futuro.

Essa imagem é especialmente significativa.

A raiz cresce escondida.

Não aparece imediatamente.

Não recebe aplausos.

Não costuma ser percebida por quem olha apenas para a superfície.

Mas é ela que sustenta aquilo que, posteriormente, será visto.

Assim também aconteceu com aquela fase.

As dificuldades eram visíveis.

A escassez era visível.

A espera era visível.

Mas, por baixo de tudo isso, existiam coisas que estavam sendo estabelecidas:

caráter, união, fé, compreensão, responsabilidade, companheirismo e perseverança.

Foi assim que um período difícil começou a produzir algo que permaneceria muito além dele.


Quando a experiência deixou de pertencer somente aos dois

Existe uma diferença entre viver alguma coisa e perceber, mais tarde, que aquilo também pode ensinar outras pessoas.

A história de Ivanildo e Rosinete caminharia nessa direção.

Em sua reflexão sobre as futuras gerações, Rosinete afirmou que o próprio livro seria uma prova e um legado de quem vive pela fé, com determinação e obediência.

Ela também falou sobre a importância de conhecer a própria origem, deixar raízes e compreender que os processos carregam lutas, mas também podem produzir crescimento.

Essa visão não apresenta o legado como uma obra pronta.

Apresenta-o como uma vida colocada em prática.

Ensinar não seria apenas falar.

Ser exemplo não seria apenas contar.

Transmitir não seria apenas aconselhar.

Seria mostrar, através da própria caminhada, que existe uma maneira de atravessar os processos sem abandonar aquilo em que se crê.

É por isso que a perseverança ganhou uma dimensão maior.

Aquilo que um casal vive dentro de casa pode, com o tempo, transformar-se em testemunho para uma família.

O testemunho de uma família pode alcançar outras pessoas.

E aquilo que foi vivido com verdade pode atravessar uma geração.


A perseverança como princípio

O legado não começou com grandes discursos.

Começou na vida cotidiana.

Começou quando os dois tiveram pouco e continuaram juntos.

Começou quando precisaram de ajuda e receberam com gratidão.

Começou quando um ficou triste e o outro fortaleceu.

Começou quando a ansiedade poderia ter tomado espaço, mas eles buscaram a Deus.

Começou quando as diferenças apareceram e foi necessário desenvolver compreensão.

Começou quando a realidade não correspondia ao que seria mais confortável, mas a aliança precisava continuar sendo honrada.

Foi dessa maneira que a perseverança deixou de ser simplesmente uma palavra.

Ela passou a ser comportamento.

Depois, tornou-se memória.

E, com o passar do tempo, começou a adquirir aquilo que hoje pode ser chamado de legado.

Não um legado baseado em perfeição.

Mas um legado baseado em permanência.

Não um testemunho de uma vida sem lutas.

Mas de uma vida que atravessou lutas.

Não a história de duas pessoas que nunca enfrentaram dificuldades.

Mas a história de duas pessoas que, diante das dificuldades, decidiram continuar caminhando.

“E não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não desfalecermos.”
Gálatas 6:9

O que a perseverança deixou

Quando aquele primeiro grande período começou a ficar para trás, não havia apenas lembranças das dificuldades.

Havia marcas.

Havia maturidade.

Havia uma compreensão mais profunda do casamento.

Havia uma experiência que nenhum dos dois teria adquirido da mesma maneira em um caminho sem provações.

Havia uma certeza construída no cotidiano:

é possível atravessar um deserto sem perder a aliança.

É possível enfrentar necessidade sem perder o amor.

É possível passar por processos sem abandonar a fé.

É possível discordar e ainda permanecer.

É possível cansar e continuar.

É possível esperar.

É possível servir.

É possível permanecer diante de Deus mesmo quando a resposta ainda não chegou.

E, talvez, seja justamente aí que a palavra legado encontre seu verdadeiro sentido dentro desta história.

O legado não estava apenas naquilo que eles poderiam contar um dia.

Estava naquilo que estavam vivendo diante de Deus.

A história começava a mostrar que determinadas coisas não precisavam terminar quando a dificuldade terminasse.

A fé poderia continuar.

A união poderia continuar.

A disposição de servir poderia continuar.

A obediência poderia continuar.

A determinação poderia continuar.

E aquilo que continuasse poderia, no futuro, alcançar outras pessoas.

Assim, a perseverança deixou de ser apenas uma resposta ao deserto.

Ela começou a se transformar em uma herança de princípios.

Uma herança feita de fé.

De obediência.

De determinação.

De raízes.

De esperança.

De exemplo.

E de uma decisão silenciosa, repetida muitas vezes ao longo da caminhada:

continuar.

“Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé.”
2 Timóteo 4:7

A história de Ivanildo Melo Regis e Rosinete Lima Regis ainda estava longe de terminar.

Mas uma coisa já começava a ficar estabelecida:

o que eles estavam vivendo não seria lembrado apenas pelo que enfrentaram, mas também pela maneira como decidiram permanecer.

E foi assim que, dentro da própria caminhada, a perseverança começou a virar legado.

Toda honra e toda glória sejam dadas a Deus Todo-Poderoso, ao Senhor Jesus Cristo e ao Espírito Santo.