CAPÍTULO 21 — QUANDO A FAMÍLIA COMEÇOU A CRESCER

Depois de aprenderem a permanecer, veio o desejo de multiplicar

Depois de atravessarem o primeiro grande ciclo do casamento, Ivanildo e Rosinete começaram a viver uma nova dimensão da aliança.

Até então, a história era a de dois.

Dois que haviam escolhido caminhar juntos. Dois que haviam aprendido a enfrentar o deserto. Dois que precisaram compreender que casamento não se sustentava somente pelo sentimento, mas por fé, diálogo, respeito, compreensão e propósito.

Mas a família começaria a crescer.

E, antes que uma criança ocupasse os braços daquele casal, uma nova pergunta começou a ocupar o coração: como seria construir uma família?

Rosinete registra que Ivanildo havia feito um pedido a Deus: desejava um filho, um herdeiro, um menino que pudesse receber não apenas o nome de filho, mas também a presença e o cuidado de um pai.

Ele queria participar dos detalhes.

Queria pegar no colo.

Queria levar à escola.

Queria passear.

Queria viver aquilo que entendia como a experiência da paternidade.

A chegada de um filho, portanto, não representaria apenas o nascimento de uma criança. Representaria também o nascimento de uma nova responsabilidade dentro da própria identidade daquele homem.

E, para aquela família, esse novo ciclo começaria de maneira diferente do que qualquer planejamento humano poderia determinar.

UM PEDIDO QUE NASCEU NO CORAÇÃO

Há pedidos que são feitos em voz alta.

Outros permanecem durante muito tempo guardados diante de Deus.

Na memória de Rosinete, havia algo que Ivanildo havia colocado diante do Senhor: o desejo de ter um filho.

Esse detalhe ganha importância porque mostra que, para ele, a paternidade não apareceria simplesmente como uma consequência da vida matrimonial. Havia um desejo consciente de ser pai e de exercer essa função de maneira presente.

A família que eles estavam construindo começava, então, a ganhar um novo horizonte.

O casamento continuava sendo a base, mas agora havia a possibilidade de uma nova vida chegando para compartilhar daquela história.

“Eis que os filhos são herança do Senhor, e o fruto do ventre, o seu galardão.”
— Salmos 127:3

Para Ivanildo e Rosinete, esse novo momento seria compreendido dentro da fé que já orientava o casamento: filhos não seriam vistos apenas como parte de um projeto familiar, mas como herança e responsabilidade diante de Deus.

A NOTÍCIA DE UMA NOVA VIDA

Rosinete engravidou.

Era o começo de uma nova etapa.

A casa que até então tinha sido construída na dinâmica de marido e mulher começava a se preparar para receber uma criança.

Havia expectativa.

Havia perguntas.

Havia sonhos.

E havia também a consciência de que a maternidade exigiria uma transformação profunda.

Rosinete ainda não sabia tudo o que encontraria pela frente. Como ela mesma reconhece em seu testemunho, não nasceu sabendo ser mãe. O aprendizado viria dia após dia.

Essa compreensão é importante porque a história não apresenta a maternidade como algo automático ou perfeito desde o primeiro instante. Ela apresenta uma mulher aprendendo, crescendo e descobrindo uma nova responsabilidade.

Ao mesmo tempo, aquele primeiro momento da gestação carregava uma alegria própria: a família estava começando a deixar de ser apenas um casal.

A promessa de uma nova presença começava a ocupar espaço dentro daquela casa.

QUANDO DOIS COMEÇARAM A ESPERAR POR TRÊS

Existe um momento singular na história de uma família: aquele em que a criança ainda não chegou, mas já mudou tudo.

Foi assim com Ivanildo e Rosinete.

A partir daquele momento, as conversas passaram a carregar uma nova expectativa. O futuro já não era pensado somente no singular ou no plural do casal. Havia uma terceira vida entrando na história.

A gravidez começou a ensinar algo que o casamento sozinho ainda não havia ensinado: a vida de outra pessoa passaria a depender deles.

Ser marido e mulher exigia parceria.

Ser pai e mãe exigiria ainda mais.

Era necessário aprender a cuidar, proteger, orientar e, acima de tudo, reconhecer que aquela vida não pertencia apenas aos desejos dos pais.

Esse princípio apareceria com força mais adiante na história de Ismael, quando Rosinete expressaria a compreensão de que seu filho não pertenceria simplesmente a ela e a Ivanildo, mas deveria ser dedicado ao Senhor.

Naquele momento, porém, a história ainda estava começando.

O casal apenas começava a compreender a grandeza da mudança.

A FAMÍLIA TAMBÉM É UMA ESCOLA

A chegada de uma criança começaria a revelar outra dimensão da própria aliança.

O casamento já havia ensinado paciência.

O deserto havia ensinado perseverança.

Agora a família ensinaria responsabilidade.

Rosinete entraria em um processo de aprendizagem que envolveria ser esposa, mãe e serva de Deus ao mesmo tempo. Ivanildo, por sua vez, começaria a experimentar a responsabilidade de ser pai e a importância de participar ativamente da vida do filho.

Essa nova etapa não apagaria aquilo que haviam vivido antes.

Pelo contrário.

Tudo o que aprenderam no casamento seria levado para dentro da família.

A fé que sustentou os dois seria ensinada à próxima geração.

O amor que aprenderam a praticar seria ampliado.

E o propósito que haviam buscado juntos começaria a alcançar também a vida de um filho.

“Deixai vir a mim os pequeninos, não os embaraceis, porque dos tais é o reino de Deus.”
— Marcos 10:14

A presença de uma criança, dentro daquela história, não seria apenas uma mudança doméstica. Ela também ampliaria a responsabilidade espiritual que o casal entendia ter recebido.

ANTES DA RESPOSTA COMPLETA, HAVIA AINDA UM CAMINHO

A primeira notícia de uma nova vida não significava que tudo seria simples.

A história familiar ainda guardava capítulos que precisariam ser vividos.

Por isso, este capítulo não termina antecipando aquilo que ainda pertence aos capítulos seguintes.

O que pode ser registrado aqui é o início de uma transformação: a família começou a crescer no coração antes de crescer plenamente dentro da casa.

Ivanildo já havia apresentado diante de Deus o desejo de ser pai.

Rosinete começava a descobrir a dimensão da maternidade.

E os dois começavam a compreender que o casamento havia entrado em uma nova fase.

O futuro ainda revelaria experiências que eles não conheciam.

Mas, naquele momento, uma verdade já estava diante deles: havia uma nova vida no caminho.

E, para quem havia aprendido a atravessar o deserto de mãos dadas, agora começava uma nova escola — a escola de formar uma família.

“Mas o Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito.”
— João 14:26

O mesmo Espírito que eles reconheciam como presente na caminhada do casal seria, também, buscado como direção para a nova responsabilidade que começava.

A família estava crescendo.

E uma nova história estava prestes a ser escrita.