CAPÍTULO 28 — UMA FAMÍLIA DENTRO DO CHAMADO

Quando duas histórias familiares passaram a caminhar dentro de uma mesma aliança

“E, se uma casa se dividir contra si mesma, tal casa não poderá subsistir.”
Marcos 3:25

Uma família não começou do zero

Quando Ivanildo e Rosinete chegaram ao casamento, nenhum dos dois chegava vazio de história.

Cada um carregava sua própria trajetória, suas experiências e suas responsabilidades.

Por isso, o casamento de 28 de março de 2003 não representava o nascimento de duas vidas que, a partir daquele momento, começariam do ponto zero.

Representava o início de uma nova etapa para duas pessoas que já traziam histórias familiares anteriores.

Ivanildo já era pai de Damiana, sua primogênita, e de Daniel, seu caçula de então.

Rosinete já era mãe de uma Filha.

Esses fatos não são detalhes secundários.

Eles fazem parte da verdade da história.

Antes de existir uma nova família formada pela união dos dois, já existiam filhos, vínculos e responsabilidades.

A história que começava depois do casamento, portanto, precisaria respeitar tudo aquilo que já havia sido vivido antes.

O casamento não apagou o passado

O casamento estabeleceu uma nova união.

Mas uma nova união não significa apagar as histórias anteriores.

Ivanildo continuava sendo pai.

Rosinete continuava sendo mãe.

Damiana continuava fazendo parte da história de Ivanildo.

Daniel continuava fazendo parte dessa mesma história.

Letícia continuava fazendo parte da história de Rosinete.

O que aconteceu foi uma mudança de contexto.

A partir da união, aquelas histórias passaram a fazer parte de uma nova caminhada familiar.

Esse é um ponto fundamental para compreender este capítulo.

A família não nasceu do nada.

Ela começou a ser construída sobre histórias que já existiam.

“A herança do Senhor são os filhos; o fruto do ventre, seu galardão.”
Salmos 127:3

Duas histórias precisaram encontrar um lugar comum

Quando duas pessoas constroem uma vida juntas, trazem consigo tudo aquilo que as formou.

No caso de Ivanildo e Rosinete, isso incluía também suas experiências como pai e mãe.

A união, portanto, representava mais do que a vida de um homem e de uma mulher.

Havia uma dimensão familiar que precisava ser considerada.

Existiam filhos, existiam responsabilidades e existiam histórias anteriores.

Isso faz com que o significado de família seja ainda maior.

Não se tratava simplesmente de construir uma casa para duas pessoas.

Tratava-se de começar a construir uma unidade familiar a partir de realidades que já estavam presentes.

Por isso, Damiana, Daniel e Letícia não devem aparecer como personagens colocados posteriormente na narrativa.

Eles já faziam parte das histórias de seus pais.

A nova família precisaria reconhecer essa realidade.

A família entrou dentro da nova caminhada

A expressão “uma família dentro do chamado” não significa afirmar que todos os acontecimentos familiares ocorreram da mesma maneira ou que todos exerceram as mesmas funções.

As fontes não autorizam esse tipo de generalização.

O que pode ser afirmado é algo mais simples e mais sólido:

a família passou a fazer parte da caminhada que Ivanildo e Rosinete estavam construindo juntos.

A partir daquele momento, casamento, filhos, responsabilidades, fé e serviço passaram a existir dentro do mesmo contexto de vida.

A caminhada espiritual não estava separada da vida familiar.

A responsabilidade ministerial não eliminava a responsabilidade dentro de casa.

E a família não ficava fora da história.

Ela estava dentro dela.

O chamado também alcança a casa

Há uma dimensão importante quando se olha para essa fase da história.

O chamado não pode ser compreendido apenas por aquilo que acontece diante das pessoas.

Existe também aquilo que acontece dentro da casa.

Existe a convivência.

Existe a responsabilidade.

Existe o compromisso.

Existe a necessidade de construir unidade.

Existe a realidade de viver juntos aquilo que muitas vezes é declarado publicamente.

Por isso, a casa também se torna lugar de formação.

O casamento coloca o amor diante da rotina.

A família coloca a responsabilidade diante das escolhas.

Os filhos colocam a paternidade e a maternidade diante da vida real.

E o serviço coloca a disposição diante das necessidades.

Assim, pouco a pouco, aquilo que antes era compreendido apenas como chamado pessoal passa a encontrar expressão também na vida familiar.

Uma família formada por histórias verdadeiras

É importante não idealizar aquilo que as fontes não descrevem.

Este livro não precisa inventar conversas, sentimentos ou acontecimentos para tornar a narrativa maior.

A própria realidade já possui profundidade suficiente.

Ivanildo já era pai.

Rosinete já era mãe.

Damiana, Daniel e a Filha de Rosinete já faziam parte dessas histórias.

Depois do casamento, essas realidades precisaram coexistir dentro de uma nova fase.

Isso, por si só, já representa uma importante mudança na trajetória dos dois.

Uma nova família começava a ser construída.

Não como substituição do que existia antes.

Mas como continuidade.

O casamento trouxe novas responsabilidades

A palavra responsabilidade ganhou um significado ainda maior depois da união.

Ivanildo não chegava ao casamento apenas como marido.

Chegava também como homem que já tinha experiência de paternidade.

Rosinete não chegava apenas como esposa.

Chegava também como mulher que já era mãe.

Isso significa que cada um já trazia uma parte importante da realidade familiar.

O casamento, então, passou a exigir uma visão mais ampla.

Era necessário pensar não apenas em dois indivíduos, mas em uma realidade que envolvia família, vínculos e responsabilidades.

A história não precisa afirmar além do que as fontes registram.

Basta reconhecer aquilo que é concreto:

os dois chegaram ao casamento trazendo histórias familiares anteriores e começaram, a partir dali, a construir uma história comum.

A família também faz parte do propósito

Na compreensão espiritual desta história, família e chamado não aparecem como duas realidades incompatíveis.

Pelo contrário.

À medida que a caminhada avançava, a própria família passaria a ocupar um espaço cada vez mais importante na maneira como a vida de Ivanildo e Rosinete era construída.

Isso não significa afirmar que todos os membros da família participaram igualmente do ministério.

Significa reconhecer que a família fazia parte da vida daqueles que estavam servindo.

A casa também precisava caminhar.

As responsabilidades também precisavam ser assumidas.

Os valores também precisavam ser preservados.

A fé também precisava encontrar espaço na vida cotidiana.

O chamado, portanto, não deveria ser contado como algo isolado da família.

A unidade precisaria ser construída

Nenhuma expressão como “unidade familiar” deveria ser tratada como se surgisse pronta.

Unidade é algo que se constrói.

Ela exige tempo.

Convivência.

Respeito.

Responsabilidade.

Perseverança.

E, principalmente, disposição para caminhar juntos.

Ivanildo e Rosinete estavam entrando justamente nessa fase.

O casamento havia sido realizado.

A união havia começado.

Mas a construção da família continuaria.

E essa construção teria seus próprios capítulos.

Por isso, este capítulo não encerra a história familiar.

Ele estabelece sua base.

Ele mostra que havia uma família que já existia em parte de suas histórias e que agora começava a ser integrada em uma nova caminhada.

“Oh! Quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união!”
Salmos 133:1

O que começou naquele momento

A partir da união de Ivanildo e Rosinete, uma nova história passou a ser escrita.

Não era mais apenas a história de Ivanildo.

Não era mais apenas a história de Rosinete.

Era a história de uma família que começava a caminhar dentro da mesma realidade conjugal.

Essa mudança não apagava as individualidades.

Não apagava os filhos.

Não apagava o passado.

Não apagava aquilo que cada um havia vivido.

Ao contrário.

Tudo isso passou a fazer parte da nova etapa.

A história familiar se tornou mais ampla.

Uma nova unidade sem apagar as anteriores

Existe uma diferença importante entre juntar histórias e apagar histórias.

Apagar significaria fingir que aquilo que veio antes não existiu.

Juntar significa reconhecer que o passado continua tendo valor enquanto uma nova etapa é construída.

É exatamente isso que precisa ser preservado aqui.

Ivanildo já tinha sua história como pai.

Rosinete já tinha sua história como mãe.

Damiana, Daniel e Letícia já faziam parte dessas trajetórias.

A união dos dois acrescentou uma nova dimensão.

Agora havia uma família sendo construída dentro do casamento.

E essa família entraria progressivamente nas próximas experiências da história.

Quando o lar passou a carregar também o chamado

O título deste capítulo contém uma palavra que será cada vez mais importante na coleção:

lar.

O lar não é apenas o lugar onde as pessoas moram.

Dentro da história de Ivanildo e Rosinete, ele também representa o espaço onde seriam vividas responsabilidades, decisões, desafios, fé, convivência e amadurecimento.

O chamado começaria a encontrar expressão dentro da rotina.

A família passaria a conviver com as exigências da caminhada.

O serviço começaria a dialogar com a realidade doméstica.

E, mais tarde, outras responsabilidades ampliariam ainda mais essa experiência.

Mas cada coisa terá seu tempo próprio.

Este capítulo registra apenas o começo dessa compreensão.

O futuro ainda seria construído

Naquele momento, ninguém precisava ter diante dos olhos todos os capítulos que viriam depois.

Ainda existiriam acontecimentos futuros.

Ainda existiriam novas responsabilidades.

Ainda existiriam experiências dentro da família.

Ainda existiriam fases que mudariam novamente a realidade da casa.

Mas uma base já estava estabelecida:

Ivanildo e Rosinete eram agora marido e mulher, e suas histórias familiares precisavam caminhar dentro dessa nova união.

Essa era a realidade.

E essa realidade era suficiente para abrir uma nova fase da história.

“Eu e a minha casa serviremos ao Senhor.”
Josué 24:15

Uma família dentro do chamado

Ao olhar para esse momento, é possível compreender por que este capítulo precisa existir.

Ele registra uma passagem.

Antes, existiam duas histórias familiares.

Depois do casamento, começou a existir uma história compartilhada.

Antes, cada um carregava suas próprias responsabilidades.

Depois, essas responsabilidades passaram a existir dentro de uma vida conjugal.

Antes, havia caminhos separados.

Agora, havia uma caminhada conjunta.

E, dentro dessa caminhada, a família também ocuparia seu espaço.

Não como elemento secundário.

Não como detalhe.

Mas como parte da própria história.

Uma família já existia.

Uma nova unidade começava a ser construída.

E o chamado encontrava dentro dessa família um novo lugar para continuar sua história.

Esse é o fundamento que abre os próximos capítulos.

Porque uma família não se constrói apenas com uma data de casamento.

Ela se constrói com presença, responsabilidade, respeito, unidade, fé e tempo.

E foi dentro dessa realidade que Ivanildo e Rosinete começaram a avançar para a próxima etapa de sua história.

Toda honra e toda glória sejam dadas a Deus Todo-Poderoso, ao Senhor Jesus Cristo e ao Espírito Santo.