CAPÍTULO 3 — O CASAMENTO FEITO PELA FÉ
Há casamentos que começam com abundância. Há outros que começam com grandes celebrações, fotografias, planos minuciosos e a sensação de que tudo está no lugar. A história de Ivanildo Melo Regis e Rosinete, porém, guarda outra marca: a fé.
No dia 28 de março de 2003, Ivanildo Melo Regis e Rosinete Gonsaga de Lima se casaram. Na memória de Rosinete, aquela data permanece como um dia profundamente marcante: o início de muitas conquistas, mas também de muitas guerras que ainda seriam enfrentadas. O casamento não foi apresentado por eles como o fim de uma batalha, mas como o início de uma nova caminhada.
“Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam.” — Salmos 127:1.
A frase bíblica encontra um lugar especial nesta história porque, segundo o testemunho do casal, havia uma convicção que atravessava todo aquele período: os recursos humanos não eram suficientes para explicar como as coisas estavam acontecendo. Havia decisões que precisavam ser tomadas, documentos que precisavam ser resolvidos, trabalho que precisava ser realizado e, ao mesmo tempo, uma confiança espiritual que sustentava os dois.
Antes do casamento, Ivanildo havia atravessado um longo processo de preparação. Houve oração, jejuns, vigílias, as Agendas de Guerra, trabalho e perseverança. Na etapa imediatamente anterior ao casamento, surgiu a necessidade de resolver um documento. A pessoa de quem dependiam havia desaparecido e, depois de semanas de vigília e jejum, segundo seu testemunho, ela reapareceu. A questão, entretanto, ainda exigiria a atuação de um advogado: Marco Vinício.
“Tudo posso naquele que me fortalece.” — Filipenses 4:13.
O dinheiro também não estava simplesmente disponível. Ivanildo relata que não tinha recursos para pagar o advogado e ainda precisava de dinheiro para a passagem. Segundo sua compreensão espiritual, o Espírito Santo lhe deu uma direção: colocar um cartão de visita sobre a mesa do advogado. A partir dali, a história tomou um caminho que ele reconhece como providência de Deus.
Ele acabou realizando trabalhos na casa do advogado e, segundo seu relato, durante aproximadamente três meses o valor recebido por esse trabalho foi suficiente para pagar o serviço do próprio advogado. Depois, também trabalhou na casa de um primo que trabalhava em banco, ajudando na reforma, preparação e mobília do imóvel antes do casamento.
Nada disso transforma o casamento em uma história sem esforço humano. Pelo contrário. A fé, na experiência de vocês, não significou cruzar os braços. Significou trabalhar enquanto esperavam; procurar soluções enquanto oravam; perseverar quando faltavam recursos; continuar caminhando quando ainda não havia todas as respostas.
Rosinete também chegou ao casamento carregando sua própria história. Sua vida sentimental anterior havia conhecido uma decepção, assunto que ela preferiu não detalhar. Ainda assim, quando perguntada sobre seu maior medo antes do casamento, sua resposta não foi de medo, mas de certeza quanto à obra de Deus em sua vida. Para ela, o casamento, abaixo de Deus, sempre havia ocupado um lugar importante em seu desejo de constituir uma família.
“As muitas águas não poderiam apagar o amor, nem os rios afogá-lo.” — Cantares 8:7.
Essa união também não nasceu de uma narrativa de perfeição humana. Nasceu de duas pessoas que foram sendo trabalhadas em seus próprios processos. Ivanildo trazia suas batalhas, seus aprendizados e sua busca pela direção de Deus. Rosinete trazia suas experiências, sua fé e a convicção de que precisava caminhar segundo aquilo que entendia ser a vontade de Deus.
Por isso, quando o casamento finalmente aconteceu, a fé não estava apenas no discurso. Ela já havia sido praticada durante o caminho.
Havia, naquele dia, uma situação que ficou registrada na memória de Rosinete: eles não tinham os padrinhos definidos. Era necessário que houvesse quem testemunhasse e assinasse os documentos. Segundo seu relato, os dois haviam colocado isso diante de Deus. Quando chegaram ao local, encontraram um casal que já havia sido testemunha de outro casal. Perguntaram se aceitariam ser suas testemunhas, e eles aceitaram. Rosinete acredita que o próprio Deus os conduziu até aquele lugar.
Essa interpretação pertence ao testemunho espiritual de vocês. O fato histórico é que o casal estava ali, foi convidado e aceitou testemunhar o casamento. Para Ivanildo e Rosinete, porém, aquele acontecimento ganhou um significado maior: tornou-se uma das lembranças pelas quais entendem que Deus havia honrado a fé com que chegaram àquele dia.
“Confia no Senhor de todo o teu coração e não te estribes no teu próprio entendimento.” — Provérbios 3:5.
Outro detalhe ficou guardado na memória de Rosinete. Ela não tinha uma roupa apropriada para aquele momento e recebeu, naquele dia, de uma de suas patroas, Dona Elizangila, um conjunto salmão composto por blusa e calça social. Não havia fotografia daquele dia para registrar esses detalhes. Mas a ausência da fotografia não apagou a lembrança: aquilo permaneceu registrado na mente e no coração.
Também ficou marcada a questão da aliança. Segundo a lembrança de Rosinete, o juiz observou que eles não tinham uma aliança da maneira esperada. Foi utilizada uma aliança que, para eles, carregava um propósito. O juiz disse que, futuramente, eles teriam uma aliança de ouro, uma aliança melhor. Ivanildo recebeu aquela palavra dentro da compreensão que já acompanhava a história dos dois: propósito era justamente aquilo que havia unido suas vidas para a glória de Deus.
A força daquele momento não estava no valor material daquilo que possuíam. Estava no significado que atribuíam àquele compromisso. A aliança poderia ser simples; a decisão, não. A roupa poderia não ter sido preparada como imaginavam; o dia, porém, havia chegado. As fotografias poderiam não existir; a memória permaneceu.
“Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem.” — Marcos 10:9.
Para compreender o casamento de Ivanildo e Rosinete, é preciso olhar além da cerimônia. É preciso olhar para o caminho que os levou até ela. A fé que aparece naquele dia não nasceu naquele dia. Ela vinha sendo construída anteriormente, nas orações, nas esperas, nas renúncias, nos trabalhos, nas vigílias e nas decisões que os dois haviam tomado.
E há algo especialmente belo nessa história: a fé não eliminou as dificuldades; deu-lhes uma maneira de atravessá-las. Não impediu que faltassem recursos; ensinou-os a continuar. Não retirou deles a necessidade de trabalhar; fez do trabalho parte da caminhada. Não apagou a realidade humana; colocou essa realidade diante de Deus.
Para Ivanildo, o Espírito Santo ocupava o centro dessa condução. Ele não o descrevia apenas como uma doutrina ou uma lembrança religiosa, mas como Aquele de quem dizia depender para receber direção. Na história sentimental e matrimonial dos dois, essa convicção aparece como uma das bases mais profundas de sua compreensão do casamento.
E Rosinete, por sua vez, não aparece nesta história como alguém simplesmente conduzida por Ivanildo. Ela tinha sua própria convicção, sua própria fé, sua própria história e suas próprias decisões. O casamento foi uma decisão compartilhada, vivida por duas pessoas que chegaram àquele dia com histórias diferentes, mas com a compreensão de que estavam assumindo uma nova etapa juntas.
“Se dois de vós concordarem na terra acerca de qualquer coisa que pedirem, isso lhes será feito por meu Pai, que está nos céus.” — Mateus 18:19.
Assim, o casamento feito pela fé não significa um casamento sem realidade. Significa um casamento em que a realidade foi enfrentada com fé. Significa olhar para o que existia e, ao mesmo tempo, continuar acreditando no que ainda estava sendo construído.
28 de março de 2003 ficou, portanto, como uma data que ultrapassou o calendário. Para Rosinete, foi o começo de muitas conquistas e de muitas guerras. Para Ivanildo, foi a confirmação de uma longa caminhada que havia atravessado oração, preparação, trabalho e perseverança. Para os dois, aquela união carregava uma interpretação espiritual profunda: a de que Deus havia conduzido a história até aquele momento.
O casamento estava feito. A aliança havia começado. A fé, porém, não terminava no cartório. Ela seria necessária dentro de casa, nas manhãs comuns, nas noites difíceis, nos dias de escassez e nos dias de abundância. Porque o verdadeiro teste de uma aliança não está somente no dia em que duas pessoas dizem “sim”, mas na maneira como continuam escolhendo caminhar juntas depois que a cerimônia termina.
E foi justamente ali que uma nova parte da história começou.

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