CAPÍTULO 4 — QUANDO FALTOU ATÉ QUEM ASSINASSE

Há momentos em uma história de amor em que o problema não está na falta de sentimento, nem na falta de vontade de seguir adiante. O problema parece estar justamente naquilo que, aos olhos humanos, deveria ser simples: haver alguém presente para assinar.

Na história de Ivanildo e Rosinete, aquele detalhe aparentemente pequeno tornou-se uma das lembranças mais marcantes do casamento de 28 de março de 2003. Eles haviam chegado àquele dia sem padrinhos definidos. E, para que o casamento pudesse prosseguir, era necessário que houvesse testemunhas com os documentos necessários.

“O Senhor é a minha força e o meu escudo; nele o meu coração confia.” — Salmos 28:7.

Rosinete recorda que os dois haviam colocado aquela necessidade diante de Deus. Eles tinham conversado com Deus sobre a data que desejavam para o casamento. Segundo sua lembrança, tinham pensado em uma determinada data e em um determinado mês; no desenrolar dos acontecimentos, a data permaneceu, mas o mês acabou sendo antecipado.

E havia ainda aquela pergunta silenciosa que poderia surgir no coração: quem estaria ali para testemunhar?

Não havia um casal escolhido para aquela função. Não havia uma solução previamente organizada. Havia, porém, a fé com que eles chegaram àquele momento.

A história não registra que Ivanildo e Rosinete tenham planejado antecipadamente a presença daquele casal. O que Rosinete relata é que, quando chegaram ao local, havia um casal que já tinha sido testemunha de outro casal. Então eles fizeram a pergunta: se aceitariam ser suas testemunhas.

E eles aceitaram.

“Entrega o teu caminho ao Senhor; confia nele, e ele tudo fará.” — Salmos 37:5.

O acontecimento pode ser narrado com simplicidade: havia um casal presente; Ivanildo e Rosinete estavam sem padrinhos; fizeram o convite; o casal aceitou.

Mas, para Rosinete, aquele fato não terminou na simplicidade do acontecimento.

Ela guardou uma compreensão espiritual: acredita que o próprio Deus levou aquele casal até ali.

Como biógrafo, é importante preservar as duas dimensões. O fato histórico é aquilo que aconteceu. A interpretação espiritual pertence ao testemunho de Rosinete e à maneira como ela compreendeu aquele momento. Não é necessário acrescentar nada além disso para perceber a força que aquela lembrança adquiriu na vida dos dois.

O mais curioso é que, mesmo depois de tantos anos, Rosinete relata que eles não possuem uma fotografia daquele casal. Ela diz que, se o encontrasse novamente, provavelmente não o reconheceria.

É uma ausência que poderia parecer estranha em uma cerimônia de casamento.

Mas, justamente por não haver fotografia, o episódio ganhou outro tipo de registro: ficou guardado na memória.

Não houve retrato.

Houve testemunho.

Não houve planejamento humano antecipado.

Houve uma solução encontrada naquele momento.

E, na compreensão espiritual de Rosinete, não houve apenas acaso: houve providência.

“Porque o que é impossível aos homens é possível a Deus.” — Lucas 18:27.

A palavra “testemunha” também adquire uma beleza particular nessa história.

Uma testemunha é alguém que está presente para confirmar que algo aconteceu. Naquele dia, aquele casal não conhecia a história inteira de Ivanildo e Rosinete. Não conhecia todas as orações, todos os jejuns, todas as lutas, todas as decisões que haviam antecedido aquele momento.

Ainda assim, sua presença foi suficiente para cumprir aquilo que era necessário naquele instante.

Há algo profundamente humano nessa cena.

Duas pessoas chegam para realizar uma decisão que mudaria suas vidas e percebem que não têm quem assine.

Então olham ao redor.

Encontram pessoas que não estavam ali originalmente para participar da história deles.

Perguntam.

Recebem um sim.

E seguem adiante.

A fé, naquele momento, não apareceu como espetáculo.

Apareceu como continuidade.

Ivanildo e Rosinete não precisaram transformar aquele instante em uma grande demonstração. Precisaram apenas continuar. A fé que havia sustentado o caminho anterior agora precisava sustentar um pequeno detalhe decisivo.

E talvez seja justamente por isso que esse episódio mereça ser preservado.

Grandes acontecimentos podem ser lembrados pelas multidões, pelas fotografias e pelas celebrações. Pequenos acontecimentos, muitas vezes, ficam conhecidos somente por aqueles que os viveram.

Mas, dentro de uma biografia verdadeira, os pequenos detalhes são capazes de revelar a estrutura inteira de uma vida.

Aquele casal desconhecido não se tornou parte da vida de Ivanildo e Rosinete por longos anos. Não há, segundo o relato de Rosinete, sequer uma imagem que permita identificá-los hoje.

Ainda assim, naquele momento específico, foram importantes.

Foram testemunhas de uma aliança que estava sendo formada.

“O cordão de três dobras não se rompe com facilidade.” — Eclesiastes 4:12.

E existe outra dimensão importante: Rosinete não descreve aquele dia apenas como uma situação resolvida. Ela o associa à fé.

Para ela, aquela experiência se tornou uma lembrança de que a ausência de recursos humanos não significava necessariamente o fim do caminho.

Isso não significa que todos os problemas desapareceriam dali em diante.

A própria história posterior do casal mostraria o contrário.

Haveria dificuldades, períodos de escassez, desertos e situações em que a fé seria novamente necessária.

Mas aquele primeiro grande passo dentro do casamento já trazia uma lição que permaneceria:

quando faltava aquilo que eles esperavam encontrar, precisavam continuar confiando em Deus.

O casamento de Ivanildo e Rosinete não foi construído somente por aquilo que estava disponível.

Também foi marcado por aquilo que faltava.

Faltavam recursos em alguns momentos.

Faltavam respostas.

Faltava uma testemunha previamente escolhida.

E, mesmo assim, o caminho continuou.

Há uma beleza discreta nisso.

Porque a fé verdadeira não precisa fingir que nada está faltando. Ela pode reconhecer a falta e ainda assim permanecer de pé.

Rosinete guardou aquele episódio como parte da confirmação de sua própria convicção de que Deus estava conduzindo aquela história. Ivanildo, por sua vez, também interpretou o casamento dentro dessa perspectiva de fé e propósito.

E o mais importante é que os dois chegaram ao mesmo ponto:

estavam ali, diante de uma decisão real, assumindo uma aliança real, com os recursos que tinham e confiando em Deus para aquilo que não conseguiam controlar.

Aquele casal que apareceu naquele lugar não precisava conhecer o passado para cumprir seu papel naquele instante.

Não precisava saber quem eram Ivanildo e Rosinete em toda a profundidade.

Bastava estar ali.

E talvez seja essa uma das imagens mais bonitas deste capítulo:

às vezes, uma pessoa pode entrar na nossa história por poucos minutos e, ainda assim, participar de uma página que nunca mais será esquecida.

No caso de Ivanildo e Rosinete, aquela participação foi breve.

Mas o significado permaneceu.

“O Senhor aperfeiçoará o que me concerne.” — Salmos 138:8.

Depois daquele momento, o casamento poderia seguir.

O que parecia faltar havia sido encontrado.

O casal que eles não conheciam tornou-se testemunha.

A assinatura que não estava prevista passou a existir.

E aquilo que poderia ter se transformado em impedimento tornou-se parte da memória da união.

Não é necessário romantizar o episódio para perceber sua força.

Basta contar como aconteceu e ouvir a maneira como Rosinete o guarda até hoje.

Ela não se lembra do rosto daqueles testemunhos. Não possui a fotografia deles. Não sabe se os reconheceria caso os encontrasse.

Mas se lembra de que estavam ali.

E, para uma história construída pela fé, isso já diz muito.

Porque algumas pessoas deixam fotografias.

Outras deixam assinaturas.

E algumas deixam apenas uma participação breve, suficiente para que uma família inteira se lembre delas como parte de um dia decisivo.

Naquele dia, faltou até quem assinasse.

Mas, segundo a compreensão espiritual de Ivanildo e Rosinete, Deus não permitiu que faltasse o necessário para que a aliança prosseguisse.

E a história continuou.