CAPÍTULO 49 — ROSINETE ENSINANDO IVANILDO A CAMINHAR

O aprendizado de Ivanildo dentro da convivência com Rosinete

Havia uma parte da caminhada de Ivanildo que não poderia ser contada apenas pelas funções que ele recebeu.

Depois da consagração, ainda havia muito a aprender.

E, dentro dessa aprendizagem, Rosinete teve um papel importante.

A história dos dois mostra algo que, aos olhos humanos, poderia parecer simples: uma esposa caminhando ao lado do marido.

Mas, quando se olha com mais atenção, percebe-se que aquela convivência também se tornou um lugar de ensino, orientação, diálogo e crescimento.

Rosinete havia sido levantada primeiro como obreira.

Ivanildo ainda estava em processo de preparação.

E foi nesse intervalo que ela começou a viver uma responsabilidade que talvez não pudesse compreender completamente naquele momento: ajudar a preparar o caminho para que ele também se tornasse um obreiro aprovado.

QUANDO ROSINETE FOI CHAMADA PRIMEIRO

Rosinete foi chamada primeiro.

Enquanto ela já participava de determinados espaços de aprendizado ministerial, Ivanildo ainda não podia acompanhá-la da mesma maneira.

Havia uma orientação de liderança naquele processo: ela estava sendo preparada também para ensinar Ivanildo.

Não se tratava de ocupar um lugar acima dele.

Não era uma disputa.

Não era uma questão de quem sabia mais.

Era uma caminhada em que cada um tinha seu tempo e sua responsabilidade.

Rosinete começou então a compartilhar aquilo que estava aprendendo.

Ela lia.

Conversava.

Falava sobre livros cristãos.

Compartilhava exemplos.

Contava experiências relacionadas à vida de um obreiro.

E, pouco a pouco, aquilo que ela aprendia também começava a fazer parte da formação de Ivanildo.

A caminhada de um ensinava o outro.

ENSINAR COM AMOR E PACIÊNCIA

Ivanildo havia permanecido muitos anos naquele ambiente, participando das reuniões, mas sem exercer ainda uma função ministerial.

Foram anos de espera.

Anos de observação.

Anos em que ele ainda precisaria compreender melhor o chamado que Deus estava colocando diante dele.

Nesse período, Rosinete precisou orientá-lo.

Mas não de qualquer maneira.

A própria história registra palavras importantes para compreender essa relação: amor e paciência.

Ela não procurava ser mais do que ele.

Também não procurava ser menos.

O propósito era caminhar juntos.

Essa diferença é importante.

Porque ensinar alguém não significa diminuí-lo.

E aprender com alguém não significa perder o próprio valor.

Rosinete estava vivendo aquilo que aprendera, enquanto Ivanildo ainda estava sendo preparado para uma nova etapa.

E os dois começaram a construir uma maneira de caminhar em que o conhecimento pudesse ser compartilhado sem transformar a convivência em competição.

ESTUDAR JUNTOS

Um dos aspectos mais significativos dessa fase foi a disposição de estudar juntos.

Eles conversavam.

Tiravam dúvidas.

Compartilhavam aquilo que estavam aprendendo.

Falavam sobre as experiências do serviço.

O conhecimento não ficava preso a uma pessoa.

Passava de um para o outro.

E isso produziu algo maior do que simplesmente preparar Ivanildo para uma função.

Produziu convivência.

Produziu maturidade.

Produziu diálogo.

Porque há aprendizados que não acontecem apenas quando alguém ocupa o lugar de professor.

Às vezes, eles acontecem numa conversa entre duas pessoas que decidiram crescer juntas.

Rosinete não estava apenas transmitindo informações.

Ela estava compartilhando uma caminhada.

E Ivanildo, por sua vez, precisava aprender a ouvir.

QUANDO APRENDER TAMBÉM ERA SABER OUVIR

Para alguém que havia passado tanto tempo observando e esperando, aquele processo exigia humildade.

Era preciso reconhecer que havia coisas que ainda não sabia.

Era preciso ouvir.

Era preciso perguntar.

Era preciso conversar.

Era preciso permitir que outra pessoa, inclusive sua própria esposa, pudesse contribuir para sua formação.

Esse talvez seja um dos aprendizados mais profundos daquela fase:

ninguém cresce sozinho.

Deus pode usar pessoas diferentes em momentos diferentes para formar alguém.

E, naquela etapa da história, Rosinete foi uma dessas pessoas usadas para contribuir com a formação de Ivanildo.

Não porque ela fosse o centro da obra.

Mas porque o Espírito Santo podia trabalhar através da convivência dos dois.

O ESPÍRITO SANTO CONTINUAVA CONDUZINDO

Ao olhar para essa história depois de tantos anos, Rosinete reconhece algo maior do que aquilo que os olhos humanos poderiam explicar.

Ela mesma registra que, depois daquele período, vieram outras direções, outros livros, outros diálogos e outras etapas.

Ivanildo foi levantado obreiro.

Depois, continuou avançando.

Mais tarde, tornou-se pastor.

E, em outro momento da caminhada, foi ele quem a consagrou como pastora.

A história, portanto, não terminou naquilo que um ensinou ao outro.

Ela continuou mostrando como Deus podia inverter posições, abrir novas etapas e conduzir cada um no tempo certo.

O que parecia ser apenas uma esposa ensinando o marido a caminhar tornou-se parte de uma história muito maior.

Porque, no caminho de Deus, quem ensina hoje também pode aprender amanhã.

Quem orienta em uma fase pode ser orientado em outra.

E quem começa uma caminhada primeiro pode, mais adiante, ser alcançado pela caminhada daquele que ajudou a formar.

UMA CAMINHADA FEITA A DOIS

Rosinete não ensinou Ivanildo a caminhar para que ele dependesse dela.

Ela caminhou com ele para que ambos continuassem avançando.

Essa diferença é fundamental.

O propósito não era criar uma relação de superioridade.

Era formar uma unidade.

Eles estudavam juntos.

Conversavam juntos.

Tiravam dúvidas juntos.

Aprendiam juntos.

E, pouco a pouco, aquela convivência foi formando duas pessoas que não deixariam de ser indivíduos, mas que aprenderiam a servir dentro de uma mesma caminhada.

A Bíblia diz:

“Melhor serem dois do que um, porque têm melhor paga do seu trabalho.”

Eclesiastes 4:9

Aquele princípio podia ser percebido na vida dos dois.

Não porque tudo fosse fácil.

Não porque um soubesse sempre o que fazer.

Mas porque havia disposição para caminhar lado a lado.

QUANDO O ENSINO SE TRANSFORMOU EM HISTÓRIA

O tempo passou.

Ivanildo foi levantado obreiro.

Depois vieram outras responsabilidades.

A caminhada continuou.

Mas aquilo que havia sido construído naquele período não desapareceu.

O ensino permaneceu.

As conversas permaneceram.

Os aprendizados permaneceram.

E, acima de tudo, permaneceu uma verdade que a história dos dois continuaria revelando:

Deus também forma pessoas através das pessoas que coloca ao seu lado.

Rosinete ajudou Ivanildo a caminhar.

Ivanildo também aprenderia com Rosinete.

E, mais adiante, Rosinete também aprenderia com Ivanildo.

Assim, a história não seria apenas sobre uma pessoa ensinando a outra.

Seria sobre dois servos sendo formados ao longo do caminho.

Como está escrito:

“Melhor é serem dois do que um.”

Eclesiastes 4:9

E também:

“Levai as cargas uns dos outros, e assim cumprireis a lei de Cristo.”

Gálatas 6:2

A caminhada continuava.

E aquilo que começou como orientação, estudo e paciência começaria a revelar algo ainda maior: Ivanildo também tinha muito a aprender com Rosinete.

Esse seria o próximo passo da história.