CAPÍTULO 50 — O QUE IVANILDO APRENDEU COM ROSINETE

Os ensinamentos recebidos de sua esposa ao longo da caminhada

Há pessoas que entram em nossa história para caminhar conosco.

E há pessoas que, caminhando conosco, também participam da nossa formação.

Na história de Ivanildo e Rosinete, essa segunda realidade aparece de maneira muito clara.

Rosinete não foi apenas esposa.

Ao longo dos anos, ela também se tornou companheira de aprendizado, orientadora, parceira de caminhada e alguém que ajudou Ivanildo a desenvolver áreas de sua vida que precisavam amadurecer.

Não foi uma relação em que somente um ensinava e o outro aprendia.

Os dois reconhecem que foram aprendendo um com o outro.

Mas, em determinados momentos, Rosinete precisou ensinar Ivanildo.

E fez isso dentro daquilo que ela mesma descreve como uma caminhada de amor, paciência, estudo, conversa e propósito.

UMA MULHER QUE APRENDEU PARA PODER ENSINAR

Antes de ensinar Ivanildo, Rosinete também havia passado por um processo de formação.

Ela havia sido levantada como obreira e, naquele período, recebeu responsabilidades que contribuíram para sua própria preparação.

Segundo seu testemunho, havia uma orientação de que ela estava sendo preparada para aprender a ensinar e viver aquilo que depois também ajudaria Ivanildo a compreender.

Enquanto Ivanildo ainda permanecia durante muito tempo apenas acompanhando as reuniões, sem uma função ministerial, Rosinete começou a ocupar um lugar de responsabilidade.

Ela começou a estudar.

Começou a ler.

Começou a conhecer livros cristãos.

Começou a observar experiências de outros obreiros.

E começou a compreender, pela própria experiência, aquilo que significava servir.

Assim, quando chegou o momento de ajudar Ivanildo, ela não falava apenas de teoria.

Falava daquilo que também estava aprendendo e vivendo.

ENSINAR SEM SE COLOCAR ACIMA

Uma das características mais importantes desse processo foi a maneira como Rosinete descreve sua postura.

Ela afirma que procurava orientar Ivanildo com amor e paciência.

Não buscava ser mais.

Não buscava ser menos.

O objetivo era caminhar junto.

Essa postura revela uma compreensão importante sobre o casamento: ensinar o outro não significa colocar-se acima dele.

Significa reconhecer que existem momentos em que um dos dois possui uma experiência que pode ajudar o outro a crescer.

Rosinete não tentou ocupar o lugar de Ivanildo.

Ela ajudou Ivanildo a encontrar o seu próprio caminho.

E isso exigiu paciência.

Porque aprendizado não acontece sempre na mesma velocidade.

Cada pessoa possui seu próprio tempo.

Cada pessoa precisa compreender determinadas coisas através da experiência.

E Rosinete aprendeu a respeitar esse processo.

O APRENDIZADO ACONTECEU NA CONVERSA

Um dos instrumentos mais presentes nessa formação foi algo aparentemente simples: conversar.

Ivanildo e Rosinete procuravam estudar juntos.

Conversar juntos.

Tirar dúvidas juntos.

Era uma caminhada construída no diálogo.

Não existia apenas uma pessoa falando e outra simplesmente ouvindo.

Havia perguntas.

Havia explicações.

Havia experiências.

Havia reflexão.

E havia o desejo de compreender melhor aquilo que estavam vivendo.

Essa forma de relacionamento acabou criando uma dinâmica importante dentro do casamento.

Quando surgia uma dúvida, conversavam.

Quando havia algo para aprender, estudavam.

Quando aparecia uma responsabilidade nova, procuravam compreender como lidar com ela.

O casamento também se tornou uma sala de aula.

Mas não uma sala de aula onde havia professor de um lado e aluno do outro.

Era uma escola em que os dois aprendiam.

“Melhor é serem dois do que um, porque têm melhor paga do seu trabalho.”
— Eclesiastes 4:9

A caminhada de Ivanildo e Rosinete mostra, dentro de sua própria experiência, a força dessa parceria.

O APRENDIZADO DE SER PAI

Entre os ensinamentos que Rosinete reconhece ter transmitido a Ivanildo existe uma área especialmente significativa: a paternidade.

Ela percebeu que Ivanildo carregava uma dificuldade relacionada a conversar, orientar, sentar e ouvir.

Em sua história pessoal, ele não havia tido isso com frequência na relação com o próprio pai.

Por isso, tornar-se pai também significou aprender aquilo que não havia recebido da mesma maneira.

Ser pai não seria apenas prover.

Não seria apenas estar dentro de casa.

Ser pai também seria conversar, orientar, ouvir e criar momentos de proximidade.

Esse aprendizado aconteceu aos poucos.

E uma das lembranças que Rosinete registra mostra justamente essa transformação.

Quando Ismael já estava praticamente adolescente, Ivanildo saiu com o filho.

Os dois foram almoçar fora.

Para Ismael, aquele momento teve um significado especial.

Ele próprio, quando se lembrava daquela ocasião, dizia que havia sido muito bom sair com o pai e almoçar fora.

Talvez, para quem observa de fora, pareça apenas um almoço.

Mas dentro daquela história familiar, aquele momento representava algo maior.

Representava um pai aprendendo a construir com o filho aquilo que um dia talvez lhe tivesse faltado.

E Rosinete participou desse processo.

APRENDER A OUVIR TAMBÉM É SER PAI

A paternidade ensinou Ivanildo que algumas coisas não podem ser substituídas por palavras religiosas, trabalho ou responsabilidades.

Um filho precisa de presença.

Precisa de orientação.

Precisa de conversa.

Precisa saber que pode chegar perto.

Precisa encontrar espaço para falar.

E precisa sentir que existe alguém disposto a ouvi-lo.

Rosinete percebeu essa necessidade e, dentro da caminhada familiar, ajudou Ivanildo a desenvolver essa dimensão.

Não se tratava de mudar quem ele era.

Tratava-se de acrescentar aquilo que precisava ser desenvolvido.

A família tornou-se também um lugar onde Ivanildo pôde aprender uma nova forma de exercer a paternidade.

E esse aprendizado não aconteceu de uma vez.

Foi construído com o tempo.

O APRENDIZADO DE SER OBREIRO

Mas os ensinamentos de Rosinete não ficaram restritos à família.

Eles também alcançaram o serviço.

Antes de Ivanildo ser levantado como obreiro, Rosinete já estava vivendo responsabilidades que lhe permitiam compreender melhor aquela realidade.

Ela passou a compartilhar com ele aquilo que estava aprendendo.

Falava sobre livros cristãos.

Compartilhava exemplos.

Conversava sobre experiências relacionadas ao serviço.

Explicava situações que faziam parte da vida de um obreiro.

E, pouco a pouco, aquilo foi formando Ivanildo.

Não aconteceu de maneira imediata.

O próprio relato registra que ele demorou para responder plenamente ao chamado e permaneceu durante anos participando das reuniões sem exercer uma função ministerial.

Por isso, o processo foi longo.

Foi necessário tempo, orientação e perseverança.

“Ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos corações sábios.”
— Salmos 90:12

O aprendizado de Ivanildo não aconteceu somente através de grandes acontecimentos.

Aconteceu também através das pequenas conversas repetidas ao longo do tempo.

ESTUDAR JUNTOS, CRESCER JUNTOS

Existe uma frase no testemunho de Rosinete que resume muito bem essa fase: eles procuravam estudar juntos, conversar juntos e tirar as dúvidas juntos.

Essa talvez seja uma das imagens mais fortes deste capítulo.

Porque mostra que o crescimento ministerial de Ivanildo não aconteceu isoladamente.

Havia uma mulher ao seu lado que também estudava.

Também buscava.

Também aprendia.

Também perguntava.

E, quando podia contribuir, contribuía.

Essa relação não diminuiu Ivanildo.

Pelo contrário.

Ajudou a prepará-lo.

O crescimento dele também passou pelo ambiente de parceria que havia dentro de casa.

E, com o passar do tempo, aquele homem que um dia ainda precisava ser orientado começou a assumir responsabilidades maiores.

Foi levantado obreiro.

Depois continuou avançando em sua caminhada.

Mais tarde, tornou-se pastor.

E, em uma dessas etapas posteriores, seria o próprio Ivanildo quem consagraria Rosinete ao pastorado.

A história, então, revelaria uma espécie de ciclo.

Ela participou de seu processo de formação.

E, posteriormente, ele também participaria de uma nova etapa de sua caminhada.

QUANDO O ENSINO SE TRANSFORMA EM FRUTO

O verdadeiro ensino não termina quando a pessoa aprende.

Ele aparece quando aquilo que foi aprendido começa a produzir frutos.

Rosinete não estava simplesmente tentando fazer Ivanildo saber mais.

Ela queria ajudá-lo a compreender como viver aquilo que estava aprendendo.

Por isso, o processo envolveu comportamento, responsabilidade, diálogo, serviço e vida familiar.

O objetivo não era acumular conhecimento.

Era formar uma maneira de caminhar.

E essa formação aconteceu dentro da vida real.

Dentro do casamento.

Dentro da família.

Dentro da igreja.

Dentro das responsabilidades.

Dentro dos desafios.

O QUE UMA ESPOSA PODE CONSTRUIR NO HOMEM AO SEU LADO

A história de Ivanildo e Rosinete não apresenta uma competição entre marido e mulher.

Apresenta parceria.

Cada um possuía experiências diferentes.

Cada um carregava aprendizados diferentes.

E, quando essas experiências foram colocadas lado a lado, os dois começaram a crescer.

Rosinete ajudou Ivanildo em áreas nas quais ele precisava amadurecer.

Ivanildo também ensinou Rosinete em outras áreas de sua caminhada.

Isso será aprofundado nos capítulos seguintes.

Mas aqui existe uma verdade que precisa permanecer registrada:

Rosinete fez parte do processo de formação de Ivanildo.

Ela o ensinou sem tentar ocupar o lugar dele.

Orientou sem diminuir.

Corrigiu sem destruir.

Caminhou sem competir.

E permaneceu ao lado dele enquanto ele aprendia.

“Assim nós, que somos muitos, somos um só corpo em Cristo, mas individualmente somos membros uns dos outros.”
— Romanos 12:5

Essa palavra encontra uma imagem muito significativa na história dos dois: diferentes pessoas, diferentes experiências e diferentes funções, mas uma caminhada construída em conjunto.

O HOMEM QUE CONTINUOU APRENDENDO

Ivanildo não chegou a uma determinada posição e deixou de aprender.

Sua história mostra justamente o contrário.

O homem que começou a servir precisou continuar aprendendo.

O marido precisou aprender.

O pai precisou aprender.

O obreiro precisou aprender.

E, ao lado dele, Rosinete também continuou aprendendo.

Talvez esse seja um dos maiores ensinamentos que a própria caminhada deixou para os dois: ninguém cresce sozinho.

Deus pode usar pessoas.

Pode usar experiências.

Pode usar o casamento.

Pode usar a família.

Pode usar responsabilidades.

Pode usar até mesmo momentos em que percebemos nossas próprias limitações.

No caso de Ivanildo, Rosinete foi uma dessas pessoas que Deus colocou ao seu lado dentro daquilo que eles compreendem como sua história.

O QUE FICOU

Quando se olha para trás, não é possível separar completamente o homem que Ivanildo se tornou das experiências que viveu dentro de casa.

Rosinete esteve presente em parte desse processo.

Ela o ajudou a compreender a importância de conversar.

A ouvir.

A orientar.

A estudar.

A servir.

A ter paciência.

A lidar com responsabilidades.

A compreender melhor a vida de um obreiro.

E, especialmente, a desenvolver uma dimensão da paternidade que precisou ser aprendida durante a própria experiência de ser pai.

Não foi uma formação feita em um único dia.

Foi construída dia após dia.

Uma conversa de cada vez.

Um estudo de cada vez.

Uma dúvida de cada vez.

Uma experiência de cada vez.

E talvez seja justamente por isso que esse aprendizado tenha produzido frutos tão profundos.

“O sábio ouvirá e crescerá em conhecimento, e o entendido adquirirá sábios conselhos.”
— Provérbios 1:5

Ivanildo aprendeu com Rosinete.

Rosinete também aprendeu com Ivanildo.

E os dois continuaram caminhando.

Porque o casamento, para eles, não terminou quando disseram “sim”.

Na verdade, foi ali que começou uma das maiores escolas de suas vidas.

Uma escola onde marido e mulher aprenderam que amar também é ensinar, ensinar também é cuidar, e cuidar também é ajudar o outro a cumprir aquilo que Deus colocou em suas mãos.