CAPÍTULO 9
QUANDO O CASAMENTO COMEÇOU DE VERDADE
DEUS TODO-PODEROSO — Eclesiastes 4:9-10
“Melhor serem dois do que um, porque têm melhor paga do seu trabalho.”
Há uma diferença entre chegar ao casamento e começar a viver o casamento.
A chegada aconteceu em 28 de março de 2003. O cartório foi realizado, a união foi apresentada na Casa de Deus, e Rosinete Gonsaga de Lima passou a ser, oficialmente, Rosinete Lima Regis. Mas a aliança que havia sido assumida diante das pessoas agora precisava encontrar sua expressão na vida cotidiana.
É nesse ponto que o casamento começou de verdade.
Não há, nos registros preservados, detalhes suficientes para reconstruir cada manhã, cada refeição ou cada conversa dos primeiros dias. E uma biografia fiel não deve preencher essas lacunas com cenas imaginadas. O que existe, porém, é suficientemente forte: o primeiro ano revelou que a vida a dois seria construída não apenas nos momentos de celebração, mas também nas necessidades, nas decisões, na fé e na permanência.
Para Rosinete, aquele primeiro ano foi um período de deserto. Ela mesma descreveu que havia dificuldade, portas que não se abriam e uma realidade que não acontecia por falta de vontade de trabalhar. Ainda assim, havia algo que crescia: os dois permaneciam cada vez mais unidos.
A dificuldade não os ensinou apenas a procurar recursos.
Ensinou-os a procurar um ao outro.
SENHOR JESUS CRISTO — Efésios 5:25
“Maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela.”
Na memória de Rosinete, o casamento começou a revelar seu verdadeiro significado quando a realidade exigiu amor com atitude.
Quando ela se sentia triste, Ivanildo procurava fortalecê-la com uma palavra de fé. Quando percebia Ivanildo mais pensativo, ela também se levantava em fé para encorajá-lo, trazendo à memória histórias bíblicas como a de Jacó e lembrando processos atravessados por outros servos de Deus.
Assim, o casamento não era uma via de mão única.
Ivanildo não era somente aquele que fortalecia; Rosinete também fortalecia.
Ela não era somente aquela que recebia cuidado; também cuidava.
A vida a dois começava a revelar uma das verdades mais profundas de uma aliança: marido e mulher precisam aprender a sustentar um ao outro quando as forças de um diminuem.
Nesse caminho, a família também participou.
Rosilda, mãe de Rosinete, ajudava com amor e carinho, inclusive com alimentos e refeições. Dona Joana Maria de Melo Regis, mãe de Ivanildo, também somou à vida do casal. O pai de Rosinete, segundo seu relato, ajudava algumas vezes de maneira anônima, inclusive com necessidades simples como gás e alimentos.
Eram gestos concretos de cuidado em um período de escassez.
Rosinete guarda uma lembrança especialmente simples desse tempo: houve ocasiões em que chegaram a fazer mingau de Maizena apenas com água, sem leite.
O valor dessa memória não está na escassez em si, mas naquilo que ela passou a representar.
O casamento não seria construído somente quando houvesse abundância.
Ele precisaria aprender a permanecer quando quase tudo faltasse.
Foi também nesse contexto que Rosinete recebeu palavras de seu pai que permaneceram em sua memória: era nas dificuldades que Deus fazia um milagre na vida de um casal; aquilo não seria necessariamente para destruição, mas poderia servir ao crescimento.
ESPÍRITO SANTO — Romanos 12:2
“Para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.”
Ao olhar para esse período, os dois passaram a compreender que a vida de um cristão não é feita apenas de dias fáceis.
Rosinete expressou isso com uma imagem muito humana: em um jardim existem rosas, mas também existem espinhos.
Essa imagem descreve bem o começo daquela vida conjugal.
Havia amor, mas havia necessidades.
Havia fé, mas havia perguntas.
Havia esperança, mas havia portas fechadas.
E, em vez de transformar a dificuldade em acusação, eles precisaram aprender a permanecer juntos.
É significativo que Rosinete tenha resumido uma das grandes lições daquele primeiro ano dizendo que cada detalhe de um casamento precisa acontecer com amor, respeito, compreensão e sem colocar a culpa um no outro.
Essa não é uma frase abstrata dentro da história deles.
Ela nasceu de um período em que precisaram praticar aquilo que acreditavam.
A experiência também deixou uma compreensão que ultrapassaria aquele primeiro ano: não basta somente ter amor; é preciso ter fé.
E não basta somente ter fé; é preciso haver amor.
Para Rosinete, foi dessa união entre amor, fé, perseverança e propósito em Cristo Jesus que os dois foram criando alicerces e raízes para o futuro.
Por isso, o casamento começou de verdade quando a celebração terminou e a realidade começou a pedir maturidade.
Começou quando a mesa precisava ser sustentada.
Quando uma palavra de fé precisava ser dita.
Quando a tristeza de um encontrava a presença do outro.
Quando a ajuda da família se transformava em cuidado.
Quando a escassez não conseguia apagar a união.
Começou quando Ivanildo e Rosinete descobriram que ser marido e mulher não era apenas possuir uma aliança, mas aprender diariamente o significado dela.
E havia ainda algo maior sustentando aquela aprendizagem: a busca pela vontade de Deus.
Para eles, o propósito do casamento não se separava da fé em Cristo. A nova casa deveria ser também um lugar onde o amor aprendesse a permanecer, onde a fé encontrasse prática e onde o Espírito Santo continuasse sendo reconhecido como aquele que orientava, consolava e ensinava.
O primeiro dia havia inaugurado uma nova identidade.
O primeiro ano começaria a revelar seu conteúdo.
E, no meio das dificuldades que ainda seriam narradas, uma verdade já podia ser percebida: o casamento estava deixando de ser apenas a realização de uma promessa para se tornar uma escola de amor, fé, responsabilidade e perseverança.
Foi ali, nas coisas simples e nas necessidades reais, que Ivanildo e Rosinete começaram a aprender que uma aliança não se prova somente no dia em que é assumida.
Ela se revela nos dias em que duas pessoas escolhem continuar caminhando juntas.
E foi assim que o casamento começou de verdade.
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