CAPÍTULO 52 — OS DIAS DE FÉ DURANTE A GESTAÇÃO

Quando a fé precisou acompanhar cada consulta, cada reunião e cada novo dia

“Porque andamos por fé, e não por vista.” — 2 Coríntios 5:7

Depois da autorização para continuar trabalhando, começou uma das etapas mais delicadas da história da gestação de Ismael.

A gestação era considerada de risco, e as palavras recebidas no acompanhamento médico haviam colocado diante de Rosinete uma realidade que ela não podia ignorar. Mas o medo não se tornou a última palavra. Na experiência que ela própria registrou, a resposta foi continuar buscando a Deus.

A fé, naquele período, não apareceu como uma ideia distante. Ela ganhou a forma de rotina. Era vivida nas consultas, nas orações, na casa e também nas reuniões em que Rosinete continuava servindo ao lado de Ivanildo.

Rosinete contou que, depois de falar com o pastor e receber a permissão, começou a trabalhar nas reuniões da antiga instituição. O que poderia parecer contraditório — uma gestação de risco e, ao mesmo tempo, uma rotina de serviço — tornou-se, para ela, uma experiência de dependência de Deus. Ela relata que não ficou acamada e que não permaneceu abatida. Segundo seu testemunho, recebeu uma força que atribuía ao Espírito Santo.

Não era uma fé baseada na ausência de dificuldades.

As dificuldades estavam presentes.

O corpo sentia os efeitos da gestação, havia inchaço, havia acompanhamento médico e havia a consciência de que aquele período exigia cuidado. Ainda assim, Rosinete continuava. Ela ia às consultas e também às reuniões. Ia de domingo a domingo, conforme seu próprio relato, mantendo a disposição de servir enquanto atravessava aquele processo.

“Não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou o teu Deus; eu te fortaleço, e te ajudo.” — Isaías 41:10

Havia também pequenos detalhes que revelavam a simplicidade daquela caminhada.

Rosinete conta que nem sempre tinha uniformes em quantidade suficiente para a sequência de reuniões. Em dias nublados, chegou a colocar a roupa para secar atrás da geladeira para poder usá-la no dia seguinte.

É um detalhe pequeno, mas, dentro da biografia, possui grande força.

Mostra que a perseverança não acontecia em condições perfeitas.

A vida seguia com suas limitações concretas, enquanto a fé seguia com sua decisão de permanecer.

E havia Ivanildo ao seu lado.

As reuniões não eram apenas uma obrigação de Rosinete. Ela relata que ela e o marido trabalhavam juntos, e que presenciar o que acontecia na vida das pessoas durante aqueles encontros fortalecia ainda mais sua convicção de que estava atravessando aquele período por uma razão maior.

O serviço, naquele momento, não apagava a condição da gestação; fazia parte da maneira como ela compreendia sua caminhada com Cristo.

Um dos registros mais íntimos desse período está na percepção de Rosinete sobre os movimentos de Ismael.

Ela contou que, enquanto colocava as mãos sobre as pessoas durante as reuniões, percebia o bebê se mexendo em sua barriga. Para ela, aquela movimentação se tornou uma lembrança muito pessoal de que Ismael estava ali, presente dentro daquele período que os dois estavam atravessando.

Ao mesmo tempo, a gestação também era vivida dentro de casa.

Ivanildo e Rosinete conversavam com o filho antes mesmo de ele nascer. Falavam sobre quem ele seria, imaginavam sua vida e diziam que ele serviria a Deus.

No testemunho de Rosinete, havia uma convicção muito clara: Ismael não pertenceria somente aos pais, mas a Cristo Jesus.

Essa maneira de falar sobre o filho revela algo importante sobre a fé daquele casal.

A expectativa pelo nascimento não estava separada do propósito espiritual que eles compreendiam para a família. A criança era esperada com amor, mas também era apresentada, em suas próprias palavras, como alguém cuja vida deveria ser colocada diante de Deus.

A fé, portanto, não significava saber antecipadamente como cada etapa terminaria.

Significava continuar caminhando mesmo sem possuir todas as respostas.

Rosinete seguia para as consultas.

Continuava trabalhando.

Voltava para casa.

Conversava com Ivanildo.

Falava com o filho.

E continuava buscando a Deus.

É importante não transformar essa experiência em uma narrativa de ausência de luta.

Houve luta. Houve temor. Houve palavras médicas difíceis de receber. Houve cansaço.

Houve um corpo que carregava uma gestação exigente.

A força do testemunho está justamente em registrar que, em meio a tudo isso, a fé permaneceu em movimento.

“Entrega o teu caminho ao Senhor; confia nele, e ele o fará.” — Salmo 37:5

Naquele período, ainda havia capítulos que a família não conhecia.

Os próximos exames ainda viriam.

O nascimento ainda estava distante.

O desfecho completo daquela gestação ainda não podia ser visto.

Mas os dias estavam sendo atravessados um por um.

E talvez seja justamente essa a marca mais profunda deste capítulo: a fé não retirou a caminhada do tempo; deu força para atravessá-la.

Rosinete continuou.

Ivanildo continuou ao seu lado.

Ismael continuou crescendo.

E a família continuou colocando diante de Deus aquilo que não conseguia controlar.

A história ainda não havia chegado à resposta.

Mas, antes que qualquer novo exame pudesse mostrar alguma mudança, já existia algo que os registros deixam claro: eles decidiram permanecer confiando em Deus enquanto a história ainda estava sendo escrita.