CAPÍTULO 72 — VINTE E TRÊS ANOS DEPOIS, UMA NOVA RESPONSABILIDADE

A chegada de uma nova etapa de responsabilidade no serviço

Há momentos em uma caminhada em que uma nova responsabilidade não chega como o início de alguma coisa, mas como consequência de tudo aquilo que foi vivido antes.

Para Ivanildo, o tempo entre a sua consagração ao ofício de obreiro e a chegada de uma nova responsabilidade foi longo. Não se tratou de uma passagem rápida entre uma função e outra. Foram aproximadamente vinte e três anos de serviço até o momento em que assumiria a responsabilidade pelo grupo de evangelização.

Vinte e três anos são tempo suficiente para que muitas coisas mudem.

Mudam as circunstâncias.

Mudam as responsabilidades.

Mudam as pessoas que caminham ao nosso lado.

E, principalmente, muda a própria pessoa que atravessa esse tempo.

“Porque necessitais de perseverança, para que, havendo feito a vontade de Deus, alcanceis a promessa.”
— Hebreus 10:36

O TEMPO ENTRE UMA ETAPA E OUTRA

Quando Ivanildo recebeu a consagração de obreiro, aquela etapa representava o resultado de um processo que havia envolvido aprendizado, discipulado, serviço e perseverança.

Mas a consagração não encerrou sua formação.

Ela abriu uma nova parte da caminhada.

Depois dela, vieram anos de serviço. E esses anos não devem ser tratados apenas como uma quantidade de tempo registrada na história. Foram anos nos quais Ivanildo continuou vivendo aquilo que havia aprendido: servir, permanecer e continuar caminhando.

A nova responsabilidade não apareceu imediatamente.

Houve um longo intervalo entre a consagração e o momento em que ele assumiria novamente uma posição de responsabilidade no trabalho de evangelização.

Esse intervalo é importante porque impede que a história seja contada como se cada etapa tivesse acontecido automaticamente.

Não aconteceu assim.

Entre uma responsabilidade e outra existiu tempo.

E o tempo também faz parte da formação de um servo.

“E tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como ao Senhor e não aos homens.”
— Colossenses 3:23

VINTE E TRÊS ANOS NÃO CABEM EM UMA FRASE

Dizer simplesmente que passaram vinte e três anos seria registrar apenas o número.

Mas uma biografia precisa compreender o que um número significa dentro de uma vida.

Vinte e três anos de serviço representam uma extensa caminhada entre diferentes circunstâncias, responsabilidades e experiências.

Ivanildo não chegaria àquela nova etapa sendo o mesmo homem que havia recebido a consagração.

O tempo havia acrescentado experiência àquilo que antes era aprendizado.

Havia colocado diante dele situações que não poderiam ser ensinadas apenas por palavras.

E havia permitido que o serviço deixasse de ser somente uma tarefa assumida para se tornar uma parte profunda de sua trajetória.

Por isso, quando uma nova responsabilidade se aproximou, ela encontrou alguém que já havia atravessado anos de caminhada.

Não era o começo do serviço.

Era uma nova estação dentro dele.

QUANDO O TEMPO PREPARA SEM FAZER BARULHO

Há processos que não anunciam quando estão preparando uma pessoa.

Não existe necessariamente uma cerimônia para cada amadurecimento.

Não há uma placa dizendo que determinado período terminou.

Algumas mudanças simplesmente acontecem enquanto a pessoa continua servindo.

Foi assim que aqueles anos passaram.

Ivanildo continuou caminhando.

E, enquanto caminhava, acumulava experiências que somente o tempo poderia produzir.

A responsabilidade que viria depois não apagaria aquilo que havia acontecido antes. Pelo contrário: seria colocada sobre uma história que já possuía raízes.

O próprio registro da trajetória estabelece uma sequência clara: depois da consagração vieram aproximadamente vinte e três anos de serviço, e então surgiu a responsabilidade de assumir o grupo de evangelização. Depois dessa etapa, a história avançaria para os anos em que Ivanildo esteve à frente do grupo.

Essa ordem é importante.

Primeiro, o tempo.

Depois, a nova responsabilidade.

E somente então, no capítulo seguinte, a história contará como Ivanildo assumiu a evangelização.

“Eis que faço coisa nova; agora sairá à luz; porventura não a percebeis?”
— Isaías 43:19

UMA NOVA ESTAÇÃO

A chegada de uma nova responsabilidade não significava abandonar tudo o que havia sido construído.

Significava entrar em outra etapa.

Os anos anteriores continuavam fazendo parte da história. A consagração continuava sendo um marco. O serviço realizado continuava tendo valor. As experiências acumuladas continuavam presentes.

Mas uma nova responsabilidade estava diante dele.

E talvez seja justamente assim que muitas das grandes transições de uma vida acontecem: não como uma ruptura completa com o passado, mas como uma nova tarefa surgindo sobre uma história que já foi construída.

Ivanildo havia passado por um longo período de serviço.

Agora, vinte e três anos depois, a caminhada começaria a exigir dele uma responsabilidade diferente.

Ainda não é aqui que contaremos os anos em que esteve à frente do grupo.

Esse será o próximo passo da história.

Este capítulo registra apenas o momento em que o tempo de espera entre uma etapa e outra chegou ao fim.

A nova responsabilidade estava chegando.

E, depois de tantos anos de serviço, Ivanildo estava prestes a descobrir o que significaria assumir novamente a responsabilidade de conduzir um grupo de evangelização.